Tuesday, November 22, 2011

Sobre nosso amigo Tony

Depois de um bom tempo planejando escrever sobre um dos nosso flatmates, eu enfim comecei a redigir algo. Eu e Nic sempre falamos um ao outro que um dia faríamos um post especial pra isso e aqui está. E para dar a vocês uma ideia geral e facilitar a compreensão, é necessário dizer que atualmente dividimos o apartamento de quatro quartos com outras quatro pessoas: um rapaz francês, duas italianas que dividem um dos quartos e um inglês que fica no quarto abaixo do nosso. Este último indivíduo será o assunto desse post e ele se chama Anthony. Nós decidimos falar um pouco do Tony (ele mesmo se chama assim) por se tratar de uma peça rara, desses sujeitos que encontramos na vida e que, de tão sem noção, acabam sendo até engraçados.

O camarada tem uns 35 anos, trabalha há uns 15 anos com programação Java, coleciona filmes, tem na cozinha uns 30 potes de suplementos alimentares, malha todo dia em academia e/ou no próprio quarto, é gay, tem muita comida no armário(embora nunca o vimos cozinhar nada), é inglês descendente de ítalo-americano e irlandês, fala com sotaque cockney super forte e, embora pareça bem normal, ele é muito, muito sem noção.

Na semana que chegamos no apartamento, havia um outro inglês na casa que logo nos avisou que o Tony era muito preguiçoso e que costumava deixar a casa bem bagunçada. E isso foi percebido bem rapidamente. Naquela mesma semana o apelidamos de “bipolar”, mas isso porque ele às vezes nos cumprimentava, puxava papo, ria alto com a gente, mas dois minutos depois era possível ele fechar a cara e parecer que nem nos conhecia. E a gente foi se acostumando com isso aos poucos, embora hoje ele já seja mais frequentemente amistoso (como um bom britânico geralmente é).

No geral o cara é bem legal com a gente. Ele está sempre voluntariamente nos emprestando DVDs (que aliás nunca temos tempo pra assistir), pergunta sobre nosso cotidiano e etc. Entretanto, existem algumas coisas que ele faz que me deixam um pouco bravo, como por exemplo quando, durante uma madrugada, ele cisma de pular corda igual o Rocky Balboa, em um quarto que possui estrutura de madeira. Como outro exemplo, certa vez ele foi capaz de chutar a porta principal da casa diversas vezes às 7h de uma manhã de domingo (dizendo que a porta só abre se for chutada antes) e acordou todo mundo. Sem contar da vez que ele bateu louca e ininterruptamente na porta de nosso quarto às 2h da madrugada só pra pedir a chave da porta principal emprestada. Naquele dia só me dei conta do acontecido quando acordei de manhã e não achei minha chave. Comecei a rir da situação. Aquilo foi tão surreal que a Nic, embriagada de sono, nem sequer acordou de madrugada com o ato louco do gajo. Em uma outra ocasião, ele chegou da rua, foi até a cozinha onde estávamos cozinhando, abriu nossas panelas, abriu o forno, checou o que estava no nosso prato e só depois disso olhou pra gente e disse algumas coisas incompreensíveis (tudo isso enquanto saía gargalhando pro quarto).

Um aspecto importante a ressaltar é que Tony tem uma voz mais grossa e fala-grunhe-canta-geme-ri-etc exageradamente alto. E ele realmente não economiza no volume dos sons, seja assistindo/rindo da televisão no quarto dele, seja ao celular no corredor as 5h30 da manha, seja tomando banho no meio da noite.

Temos diversas historinhas nesses 3 meses de convivio, e algumas realmente valem a pena registrar. Em uma ocasião ele ficou “doente” e não foi trabalhar. Nesse dia Nicole também estava em casa e depois me contou que Tony ficou no quarto dele o dia inteiro curtindo um draminha. O indivíduo ficou o dia todo gemendo e xingando a vida através daquele vozeirão, e tudo isso por causa de um resfriado besta. E engana-se aquele que pensa que ele fica com esses gemidos só quando está doente. Primeiramente imaginem uma voz rouca, parecida com a do Lula. Agora imaginem essa voz gemendo o dia todo por causa da previsão do tempo para o dia seguinte, ou então por causa da comida que saiu do microondas ainda fria, ou ainda por causa da fechadura da porta da casa que engasga vez ou outra. Ele geme até mesmo sem nenhuma razão aparente (as vezes eu acho que ele grunhe sem razão somente porque já se passaram dois minutos desde que ele gemeu pela última vez). No começo esses barulhos me incomodavam bastante. Hoje confesso que meu cerébro aprendeu a filtrar esses ruídos.

Outra historinha interessante vem do dia em que ele nos propôs organizar uma festinha no quarto dele contando com a participacao de todos da casa. A proposta era para assitirmos a um filme, comermos coisas típicas de nosso países e tomarmos um vinho. Porém, antes de contar essa outra historinha, preciso falar um pouco da vida afetiva dele, baseando-me em nossas observações. Ele atualmente está solteiro, porém de vez em quando fica enrolado com um ex-namorado que é bem mais novo que ele (nós o chamamos de “adolescente”, embora ele já tenha uns 21 anos). Nicole detesta o tal adolescente. Eu acho que é devido ao fato do menino ficar brincando com os sentimentos do Tony. Mas talvez também seja porque o adolescente é mal humorado e possui uma cara de psicopata (se é que psicopata tem uma “cara”). Mas, voltando ao assunto da nossa festinha, vale ressaltar que Tony mudou a data do evento três vezes, até que ficou confirmado tudo para o segundo domingo de outubro. Segue o cartaz que ele deixou na cozinha, pra confirmar definitivamente o happy hour.

Confirmação do convite
Tudo estava acertado pra festinha: eu e Nic faríamos uma pseudo-feijoada e talvez uma farofinha, os outros já estavam se preparando e tinhamos até um convidado polonês (o senhorio do apartamento). Entretanto, no sábado da véspera, Tony reativou o namoro com o adolescente e o convidou pra dormir com ele. Durante a madrugada rolou gritaria do quarto deles e Tony expulsou o rapazinho da casa. Na manhã de domingo, assim que levantamos, vimos este segundo cartaz na cozinha.

Cancelamento da festinha
Bem, assim posso dizer que a tal festinha nunca existiu. De vez em quando até surge o assunto, mas nada se concretiza. Engraçado foi que determinado momento daquela semana ele sentou perto da Nic na cozinha e começou a chorar as mágoas, dizendo que era um tolo em sempre acreditar no moleque, que os amigos dele já nem o consolam mais por causa do menino e coisas do gênero.

Uau! Acabei de perceber que meus posts sempre são super longos. Então vou acabar este por aqui mesmo, sem conclusão nem nada. Se vocês tiveram paciência pra chegar até aqui, obrigado pela gentileza e finjam que chegamos no final, ok?

Até mais!

p.s. Eu não exagerei em nada, acreditem.

3 comments:

  1. Porra Fabio, V com duas Italianas dividindo quarto e a cama de solteiro (sim, pq na minha cabeça elas são parecidas com a Monica Bellucci e dormem as duas em uma cama de solteiro) c vem me falar de um homosexual ingles!!! Porra Fabio.
    Ps: Ve se coloca esse blog seu pra avisar a gente pelo twter e pelo face qndo v postar, a gente acaba esquecendo.
    Abração.

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  2. Cara, no proximo post, pra nao dar problema pra mim, vou pedir a Nic pra postar sobre as italianas, rs.

    Ainda nao consegui colocar o aviso pelo twitter, mas pelo Facebook ja foi resolvido!

    Abracao ai!

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  3. E vcs achavam que o Vitor que era doido.

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