Friday, March 29, 2013

Procurando emprego em Grenoble

Grenoble...
Feriado no Brasil! E aqui... Non! Nosso feriado é na próxima segunda-feira. Hoje é Sexta-feira Santa aqui também, claro, mas o feriado nacional é só na segunda. Será na chamada Lundi de Pâques (Segunda de Páscoa).

Para mim não faz tanta diferença. Como não estou trabalhando, todo dia é dia livre. Quer dizer, mais ou menos. Procurar emprego é praticamente um emprego. Pois é, estou nessa agora: em busca da primeira experiência profissional na França.

Como quero trabalhar, e deixei isto claro para o pessoal do OFII (órgão do governo responsável pela imigração e integração), eles me deram as direções para a busca do primeiro emprego. Tive que participar de alguns encontros para conversar sobre isso. 

Primeiro, vamos abrir um parênteses. O encontro sobre trabalho foi um dos 3 que tive obrigação de participar devido ao meu visto de residente. Segundo o governo, isto é necessário  para minha melhor integração na França. Não sei quais os critérios para ser convocado para estes encontros. O Fábio não teve que ir. Acho que entendem que ele já está mais integrado, pois veio com contrato de trabalho, já falava francês, etc. Palpite. E eu, como vim acompanhando o Fábio, preciso aprender a me virar aqui. 

O primeiro encontro foi o de "Formação Cívica". Tive uma aula sobre os princípios da República francesa, organização e funcionamento do Estado, suas instituições, etc. Até parte do hino nacional eu escutei, hehe. No segundo, o assunto foi "Informações sobre a Vida na França". Aprendi coisas práticas sobre o sistema de saúde, de educação, impostos, direitos trabalhistas, e por aí vai. Estes dois encontros foram coletivos, uma aula para umas 20 pessoas. O terceiro (agora sim o do emprego!), intitulado "Competência Profissional", foi individual, e durou mais ou menos uma hora (cada um dos outros durou um dia inteiro). Conversei com uma profissional que quis saber tudo de mim, dos meus estudos e dos meus trabalhos anteriores. Ela queria avaliar se o que eu fazia no Brasil poderia ser feito na França, se minha experiência brasileira ajudaria aqui, em que áreas eu poderia investir, se eu precisaria de outra formação, etc. A conclusão foi de que o meu currículo estava bom e que eu poderia arrumar um emprego aqui nas áreas que eu disse a ela que desejava trabalhar. Então ela me encaminhou ao Pole Emploi e também à AFIJ.

Bom, fui no Pole Emploi. Trata-se de um órgão público encarregado de acompanhar pessoas que procuram por emprego. O Pole tem um banco de dados com as vagas de empregos na França, possui informações sobre os direitos e deveres dos trabalhadores, ajuda o candidato a fazer currículo e carta de apresentação, e coisas do tipo. Agora que estou inscrita, tenho meu espaço no site, onde posso me candidatar às ofertas de emprego, colocar minhas informações, fazer um projeto profissional e conversar com meu conselheiro. Ah, cada inscrito tem um conselheiro que o ajuda com qualquer dúvida ou problema. Todos os meses terei que dar satisfações de como anda minha busca e se já consegui emprego. E a qualquer tempo posso ser chamada pessoalmente para dizer de que forma ando procurando, para quais vagas já me candidatei, etc. Eles precisam saber se eu estou buscando trabalho mesmo, ou fazendo corpo mole.

Já a AFIJ é focada em estudantes e jovens recém formados. Como concluí meu mestrado ano passado, posso entrar nesta categoria. A associação dá cursos de "como fazer um bom currículo" e coisas do gênero; ela  tem contatos com empresas e volta e meia promove eventos para uma interação empregador/desempregado; e lá eles aconselham, escutam, etc.

Ok, tudo isto é muito lindo e acolhedor, mas acho que representa 10% na minha busca por emprego. A procura exaustiva, seleção de sites de empregos e de vagas, preenchimento de formulários de empresas, aperfeiçoamento pessoal, etc, são coisas que só eu posso fazer por mim. E tenho feito diariamente. O retorno não tem sido tão bom. E as notícias nos jornais falando da alta de desemprego na França não contribuem para o meu ânimo. Minha formação em Biblioteconomia e minha experiência profissional neste meio não me ajudam, pois nesta área não há muitos empregos aqui. E quando há são públicos, o que significa que muitas vezes é exigida cidadania francesa. Meu mestrado em Mídia Digital me coloca numa área mais empregável, porém não tenho a tão desejada experiência... E numa situação onde há poucas vagas e muitos candidatos, experiência acaba sendo um fator decisivo. 

Bom, vou me empenhando todos os dias nesta busca e uma hora há de vir alguma coisa. Estou com a cabeça muito aberta na busca, me arriscaria em outras áreas, faria qualquer coisa mais geral, ou trabalho temporário... Nao importa, emprego é emprego. Espero ter sorte. :)

Por enquanto, o único trabalho que tenho feito é voluntário. Faço parte de uma associação em Grenoble, a VSArt. Lá fazemos trabalhos criativos com idosos que vivem em asilos, e pessoas que precisam da gente de alguma forma. Não ganho salário, mas ocorre uma troca de sentimentos e valores entre eu e estas pessoas que eu não conseguiria comprar com dinheiro...
VSArt: Volontariat et Soutien par l'Art
À bientôt!

Thursday, March 14, 2013

Um pouquinho de Brasil iaia...

Estamos de volta depois de mais um mês sem postagens! O sumiço tem justificativa: Brasil! Férias!

Antes de contar sobre a viagem ao Brasil depois de um ano e meio fora, vou falar de um pepino que tive que resolver antes de ir. Contratempo chamado Visto, claro. Antes de vir para Grenoble, tive um probleminha com visto para resolver em Londres. E antes de ir ao Brasil, mais uma adversidade.

É  o seguinte, o visto que nós tiramos na Inglaterra é apenas uma parte do procedimento todo. Quando chegamos na França teríamos que dar andamento ao processo para conseguir o visto final. E assim fizemos. O do Fábio saiu rapidinho. E o meu não tinha saído ainda, mas tudo corria bem, tudo encaminhado. E a viagem ao Brasil sendo planejada a todo vapor, com passagens compradas, visitas marcadas, etc. Porém, um dia, alguém me falou que sem o meu visto final eu não poderia viajar para fora da região Schengen (um grupo de países europeus, mais aqui). Quer dizer, eu poderia, sou livre, mas não poderia voltar, pois a imigração francesa me pediria o visto, e se eu não o tivesse, "so sorry".

Fui na prefeitura de Grenoble, no departamento responsável, e perguntei se era isso mesmo. Sim, era isso mesmo! Pirei, pois descobri isso na segunda-feira e eu viajaria na quarta-feira! Falei que eu tinha o recibo oficial (com foto e tudo!) de que meu visto estava sendo feito, e perguntei se aquilo não era suficiente para retornar ao país (eu achava que era!). O atendente disse que não. Ele me falou que um agente da imigração poderia me pedir o visto, e poderia não me deixar entrar, eram as regras "uma pessoa que pede o visto de residente pela primeira vez, não pode sair do país até que ele esteja pronto". Porém, ele acrescentou que o fato de eu ser brasileira poderia facilitar as coisas para mim, já que brasileiro não precisa de visto para entrar na França como turista. Ele disse algo assim "te aconselho a não viajar, mas se você for, é por sua conta e risco. Pode dar tudo certo, mas pode dar errado". Ele olhou no sistema e falou que meu visto estava prontinho da silva, mas só poderia me dar depois que eu passasse pela visita médica obrigatória. Esta estava marcada para depois da viagem ao Brasil. Ele me orientou a ligar para o pessoal da visita e perguntar se eles poderiam adiantar e me atender no dia seguinte. 

Ok, liguei, e disseram que poderiam me encaixar no horário da tarde. Insisti que não poderia ser na parte da tarde, expliquei meu caso, falei que a prefeitura fechava às 15h, e eu teria que passar lá para pegar o visto depois da consulta, e que não daria tempo, e que era urgente... Detalhe: não é só uma visitinha médica, é um encontro que dura umas 3 horas, poderia não dar tempo de tudo mesmo! Me disseram, "'ne t'inquiète pas', venha aqui, faremos tudo bem rápido, e vai dar tempo de você chegar na prefeitura". Fui, cheguei lá às 13h, horário combinado. E eu não precisei participar das etapas pelas quais todos passam (apresentação, conversa, vídeo...), só os médicos mesmo! Deram-me o certificado de presença e corri para prefeitura. Lá eles finalmente me deram o visto. Final feliz. Viajei no dia seguinte sem riscos. 

Nota: o serviço público francês tem uma péssima fama por aqui, mas esta minha experiência foi muito boa. Trataram meu caso com atenção e realmente tiveram boa vontade em me ajudar. :)

E a tão desejada viagem a minha terra foi ótima! E corrida! Não fiz tudo o que eu queria, e faltou encontrar várias pessoas que eu queria ver, mas sabia que seria assim. E acho que todas as vezes que voltar ao Brasil será invariavelmente desta forma. São poucos dias para muitas atividades e pessoas. 

Ah, comi tudo o que eu não comia há tempos. Pão de queijo, feijoada, tropeiro, torresmo, galinhada, tutu, frango com quiabo, etc...Hummm...


Fui bastante mimada pelos meus pais. Comemos e bebemos juntos, saímos bastante, conversamos muito! Delícia!


Mamy e papy. :)
Mimada também pela Arlete, sogra querida, que fez com que a casa dela fosse como a nossa. :)
Arlete fofa. :)
E curti a família toda e amigos! Muitos encontros, muitas novidades, muitas visitas! Top! Algumas fotos abaixo. Só algumas, porque nem todos os encontros tiveram fotos. É tanta alegria e tanta coisa para conversar que a gente esquece destes detalhes.


Família e amigos! E falta muita gente nesta foto!
Foram 20 dias intensos! E como eu estava de férias, mas muitos amigos e família trabalhando, tive que improvisar. Então, além de encontrar o pessoal à noite, depois do trabalho, eu marcava almoço e lanche da tarde com eles. Só assim para conseguir ver o máximo de pessoas. E além disso, eu tinha muitas coisinhas burocráticas para resolver (Banco, CRB, INSS, TRT...). Ufa! Foi pesado, mas foi bom demais. 

E voltaremos assim que possível. :)