Tuesday, May 21, 2013

Paris low-cost e sem compromisso

Nos dias 08 e 09 de maio tivemos feriado aqui. Dia 08 foi feriado civil para festejar a vitória dos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial. E dia dia 09 foi religioso: a quinta-feira de Ascensão. Então o Fábio pegou um dia de férias na sexta-feira, emendamos tudo e fugimos para Paris!

Não foi minha primeira vez na capital francesa, mas foi minha primeira vez sem obrigações turísticas. Meu caso de amor com a cidade luz começou em 2011, quando eu e Fábio fomos comemorar 1 ano de casados. Na época morávamos em Londres e decidimos passar um fim de semana lá para celebrar nossas bodas de papel. Fiquei louca, andamos sem parar, e eu queria conhecer tudo: a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, andar pela Champs Élysées, e todos os programas padrões, etc. Só que Paris é infinita. Um fim de semana não é nada na cidade. Aliás, uma semana não é nada, um mês não é nada. Por isso é preciso voltar sempre. :)

E voltei! Fui novamente na primavera de 2012 com minha mãe, e no último verão com amigos. Porém, como era a primeira vez deles na capital francesa, tive que repetir os mesmos programas obrigatórios dos estreantes. Sem problemas, os programas clichês são legais, mas eu precisava de uma Paris sem compromisso. Então este feriado de maio foi a oportunidade perfeita!

Pude ir ao Museu D'Orsay que ainda não conhecia. Por acidente cheguei ao Museu das Armas e me encantei. Revisitei o Louvre para conferir alas que não tinha visitado (e  pude me dar ao luxo de passar longe da Monalisa e evitar o tumulto de turistas). 























Fomos no cemitério Père Lachaise (programa esquisito este de conhecer cemitério, hehe) para visitar os túmulos de pessoas célebres enterradas ali: Balzac, Jim Morrinson, Edith Piaf, Allan Kardec, Chopin, La Fontaine, e muitos outros.
O cemitério
Andamos pela deliciosa região de Le Marais, indicação de um amigo francês.
Fizemos um passeio indicado por uma revista francesa e deixo a dica aqui: pegue o ônibus 96 para passear. Ele vai da Prefeitura de Lilas até a gare Montparnasse, atravessa Paris. Passamos por regiões super diferentes umas das outras. É um passeio muito interessante para conhecer as diversas versões da cidade. Mais honesto e mais barato que aqueles ônibus turísticos abertos que circulam por lá.
E pela primeira vez fui ao Palácio de Versailles. Lindo de morrer, por dentro e por fora. Os jardins são uma loucura. Nunca tinha tido tempo de passar por lá, pois fica fora da cidade, e é preciso um dia inteiro sobrando para fazer este passeio com calma. Desta vez deu. :)

E claro que rolou um picnic no Jardim de Luxemburgo, e um fim de tarde esparramado num gramado em Montmartre, ali na Basílica de Sacré Coeur, porque ninguém é de ferro. :p
Pausa para picnic
Pausa para o sol se pôr.
Vi duas amigas queridas que estudaram comigo em Londres, a Anna e a Olesia. A primeira mora em Paris e a segunda mora em sua terra natal, a Ucrania, e estava lá de visita como a gente. 
Num dos bares "trendy" de Paris.
O melhor de tudo foi não precisar vender um órgão para fazer esta viagem. Paris é cara, mas quem quiser fazer em baixo-custo, consegue. Sempre procurando economizar para jamais deixar de viajar, fomos de trem com passagens de promoção, voltamos metade de ônibus (Paris-Lyon), metade trem (Lyon-Grenoble). Ficamos no Hostel Woodstock (correto, preço bom e bem localizado) onde dividimos quarto com canadenses, uma brasileira e uma escocesa. E sempre dá para comer um sanduíche de mercado em vez de encarar um restaurante em todas as refeições. 
Pausa para o almoço!
E mais, eu não paguei para entrar em nenhum museu, nem no Palácio de Versailles, pois sou "demandeur d'emploi", ou seja, uma pessoa à procura de emprego na França. Esta é a única vantagem de ser desempregada aqui. :p

Pois é pessoal, quem tem o vício de viajar e a alma de viajante, sempre arruma um jeito. ;)

Sunday, May 05, 2013

Estudar na França - Parte 1/2


Salut!

Como eu havia prometido, isto aqui é sobre minha experiencia profissional/academica na França. E tudo que falarei aqui faz parte apenas da minha experiencia pessoal e de algumas coisas que estou aprendendo no caminho com pessoas ao meu redor. Para aqueles que nao sabem, eu sou engenheiro eletricista e possuo mestrado em modelagem matematica e computacional.
Ilustracao de Thais Ibanez
A minha experiencia pode ser um pouco diferente das experiencias de outros doutorandos brasileiros que estiveram ou que ainda estao aqui na França. O meu doutorado terá uma duração de três anos e nao tem nenhum vinculo com qualquer instituiçao brasileira. Encontrei esta oportunidade anunciada na internet através de minha propria busca, sem indicaçao prévia de ninguém. Bem, eu estou dizendo isso para incentivar aqueles que tem vontade de ter uma experiencia fora do Brasil e que poderiam pensar que sem  uma boa indicaçao tudo seria impossivel. Nao, nao é impossivel. Entao largue as desculpinhas de lado e go google it!

Para aqueles que dizem que um doutorado fora do Brasil custa muito caro, saibam que nem todo lugar é assim. Na França, por exemplo, os doutorados sao gratuitos e, alem disso, sao feitos somente com bolsas. Aqui na França (e eu sei que na Inglaterra tambem é assim) é comum encontrar estes anuncios de doutorado com tema super especifico. Isso pode ser um ponto negativo para uns, mas para outros isto é visto como um ponto positivo.

Fiz meu mestrado no Brasil e, portanto, jà tive alguma experiencia academica tupiniquim. Sei que estes doutorados ‘encomendados’ sao mais raros em universidades brasileiras. Corrijam-me se eu estiver errado, mas no Brasil geralmente fazemos um projeto de pesquisa de acordo com nossas vontades (porém, adaptado às experiencias do futuro orientador), mas a pesquisa final muitas vezes nao tem nada a ver com o projeto de pesquisa inicial. Entao deve-se ter cuidado em dizer que prefere ter liberdade para escolher a propria pesquisa. Bem, no meu caso encontrei uma vaga de doutorado que nao era perfeitinha para mim, mas eu possuia os pre-requisitos necessarios. A minha pesquisa dizia que eu iria investigar X e agora estou realmente estudando X. Entao, no fim das contas, para mim este doutorado ‘encomendado’ nao é um má ideia, pois tive desde o começo uma boa noçao do esforço necessario para a pesquisa.


Para aqueles que poderiam pensar que para estudar na França é necessario falar frances, deem uma pausa agora nessa leitura e leiam este post do Kiev para verem que nao é bem assim. E posso falar da minha propria experiencia tambem, pois a minha vaga estava anunciada em lingua francesa (Modélisation numérique avancées pour la prédiction des courants dans les dispositifs CMOS ultimes sur film minces et nanofils) e mesmo assim eu entrei em contato com o responsavel pelo anuncio. E olha ai o resultado : me contrataram em ingles e vou escrever e defender minha tese em ingles. No meu caso, o ingles foi necessario, mas jà conheci um brasileiro que chegou por aqui para fazer parte da graduçao sabendo apenas portugues e uma venezuelana que chegou para fazer o doutorado sabendo apenas espanhol. Claro que agora esses dois precisarão de esforço extra para aprender o frances ao mesmo tempo em que aprendem todo o resto. Sao casos incomuns, mas quero mostrar que nada é impossivel.    
Voce tem um plano? Se joga! 
Ask me, I won't say no. How could I?


No proximo post eu irei escrever sobre as curiosidades especificas da minha pesquisa.

A+

Friday, May 03, 2013

Seis meses de Grenoble!


Seis meses morando aqui na França!

Chegamos em Grenoble no final do outono, passamos um inverno francês completo e agora jà sentimos a beleza da primavera.

Muita coisa diferente jà se passou por aqui: moramos temporariamente na casa de uma portuguesa muito legal, dormimos em colchao inflavel furado e tomamos banho de caneca durante o inverno, atravessamos varias cidades com as nossas vélo, fomos ao Brasil bem rapidinho e conseguimos ver alguns amigos e  a familia, conhecemos muita gente legal em Grenoble principalmente através do meu emprego e dos nossos cursos de francês, reaprendemos a nos divertir em very low cost, bebemos umas 50 garrafas de vinho até entao, visitamos museus e montanhas locais e por ai vai…

Souvenirs

Hoje iremos na festa de aniversario do Martin (Martã), um francês daqui que é casado com uma mineirinha, a Suzana. Este casal é super legal (super animados) e eu os conheci porque a Nic estudou com a Suzana. Eles também adoram viajar, tem muitas experiencias pelo mundo afora e conhecem muita gente por aqui. Como já dissemos anteriormente, estas festinhas sao excelentes pra conhecermos mais e melhor as pessoas que estao em Grenoble.  

Martin e Suzana
Estivemos recentemente tambem em algumas festinhas com os companheiros do meu curso de frances (Brasil, Polonia, Equador, Japão, Romênia, Espanha, Grécia, Alemanha). De certa maneira, Grenoble e Londres possuem esse lado cosmopolitano em comum, mesmo que Grenoble seja muiiiiiiito menor que a capital inglesa.

Turma do frances e agregados

Eu continuo em ritmo forte de estudos e em breve vou escrever um pouco sobre a minha experiencia profissional/academica na França.


A+,

Fabio



p.s. Esqueci de comentar que estou super feliz, pois iremos passar uns dias em Paris na proxima semana e que, alem disso, jà temos passagens compradas para comemorar meu aniversario em Lisboa. 
Navegar é preciso ! Yeah !!!