Monday, July 29, 2013

Verão em Grenoble

Ah... o verão!


Hoje está chovendo em Grenoble, e a temperatura baixou um pouco. Ufa! Estava um calorão nesta cidade! Super verão! Tudo abafado e muita suadeira! Não estou reclamando, prefiro isso ao inverno com temperaturas negativas. :) A galera tem ido em peso ao parque curtir os dias ensolarados. A prefeitura equipou o principal parque de Grenoble, o Paul Mistral, com uma  super estrutura para todo mundo aproveitar melhor: ducha para as crianças, cadeiras de praia, música, cinema ao ar livre, aluguel de equipamento esportivo, aulas de yoga, de dança, de tudo! Nos fins de semana, eu e Fábio arrumamos nossas coisas e partimos para o parque, sozinhos ou com os amigos. Ficamos lá de bobeira, fazemos um piquenique, curtimos o sol... Adoro! E não raramente vamos também a um parque lindinho perto da nossa casa, ou logo ali na margem do rio Isère tomar café da manhã, ou beber um vinho nos caminhos para a Bastilha. Ah... o verão!

Parc Paul Mistral
Piquenique na Bastilha
Aula de dança no parque
Se eu pudesse, aproveitaria este calor para ir a qualquer praia aqui pertinho, no sul da França, mas como arrumei um trabalho de verão fico meio presa. Porém, isto não é motivo para não dar uma escapada de vez em quando e fazer uma day trip pelos arredores. Outro dia eu e Fábio fomos a St Hilaire du Touvet, um lugar lindo onde o pessoal vai para saltar de parapente. Pegamos nossas bicicletas, colocamos no ônibus (vantagem de se ter uma bicicleta dobrável) e partimos para o alto da montanha. Ficamos por lá pedalando e observando as pessoas voando.


E se não tem praia aqui nos alpes, há os lagos no alto das montanhas. Fomos conhecer o Lac de Laffrey no último fim de semana com dois amigos equatorianos que também vivem em Grenoble. O clima lá é de praia, delicioso! A gente pode nadar no lago, tomar um sol... Já temos planos para conhecer outro lago na próxima semana!






Ah... o verão! Só aprendi a valorizá-lo depois que me mudei para Europa.

Sunday, July 07, 2013

E as buscas continuam

Ano passado, no dia 14 de junho exatamente, dei um cartão de aniversário para o Fábio. Queria marcar a época em que estávamos vivendo, então em vez de um cartão de aniversário comum, o presenteei com um cartão postal. Na frente do postal estava o Reino Unido, lugar que estávamos amando morar e conhecer. No verso escrevi a seguinte pergunta: onde será que estaremos no seu próximo aniversário?
Frente
Verso







Realmente não tínhamos ideia de onde estaríamos no ano seguinte. Meu mestrado em Londres acabaria, e depois? Conseguiríamos extender nosso visto britânico? Será que nos mudaríamos para poutro país? Voltaríamos de vez para o Brasil? 

No fim das contas mudamos de país. No dia 14 de junho exatamente estávamos em Lisboa, mas como vocês sabem, hoje moramos na França. Tudo mudou. Na Inglaterra estava estudando. Parei minha carreira para investir em um mestrado no exterior. Na verdade, eu queria mesmo era ter a experiência de morar fora do Brasil, os estudos foram um jeito de conseguir isto. Eu até trabalhava lá em eventos, festas, casamento e num Café. Porém, não era muito (no máximo 20 horas semanais) e não era na minha área, era só uma maneira de ganhar uma grana extra para curtir Londres e viajar. Objetivo cumprido. ;)

Agora as coisas estão diferentes. Em Grenoble, eu não estudo. O objetivo principal por termos mudado foi o doutorado/trabalho do Fábio e uma vontade em comum de não querer voltar a morar no Brasil por enquanto. Quando cheguei, pensei: vou arrumar um trabalho na minha área na qual, descobri algum tempo depois, os parâmetros franceses denominam "Comunicação Informação". Ah, doce ilusão. Sabe aquela crise na Europa que a gente ouve falar na TV? Pois é, estou sentindo na pele. Este ano a França teve a maior taxa de desemprego desde 1997.

No mês passado tive um encontro com minha conselheira do Pole Emploi. Já falei sobre o Pole aqui, é um órgão público encarregado de acompanhar pessoas que procuram por emprego. Ela me falou que, definitivamente, este momento não é o melhor  para procurar emprego. E foi bem honesta comigo ao dizer que está muito difcil para os franceses e para mim será ainda mais. E por quê? Porque eu sou estrangeira, não tenho um diploma francês, não tenho experiência de trabalho aqui, não tenho uma rede social bem estabelecida (sim, o tal "QI - quem indica"). E para piorar, minha área não está das mais empregáveis atualmente. E ainda acrescento o fato de ter nascido mulher (sim, nós mulheres enfrentamos mais obstáculos que os homens, chequem as pesquisas) e de ter que fazer tudo em outra língua (c'est dure!). Percebem o que eu quero dizer? O que tenho é alguma qualificação (diplomas brasileiro e britânico), experiência profissional (Brasil, só) e empenho para encarar horas diárias procurando vagas, reformulando currículos e fazendo cartas de apresentação. 

Há quatro meses me encontro nesta situação de busca incessante por emprego, então já me questionei bastante sobre as escolhas profissionais que fiz na vida e também minha competência. E há momentos mais esmorecidos em que eu acho que nunca vou conseguir.

Diante desta situação e lembrando que Voltaire já disse que "o trabalho nos poupa de 3 males: o vício, o tédio e a necessidade", comecei a procurar qualquer tipo de emprego.  Qualquer coisa que me ocupasse e, mais importante, me rendesse uma graninha. Então cheguei a trabalhar no café da manhã de um hotel em Grenoble durante um mês, apenas para cobrir a licença médica de uma funcionária. E agora trabalho em um restaurante especializado em comida sul america. É um trabalho de verão, meu contrato termina no fim de agosto. Vejam que mesmo abrindo a mente, só consigo contratos temporários.

Desde de agosto de 2011, quando deixei o Brasil, não trabalho na minha área.  Aí se vão quase 2 anos... Não tenho problema algum em parar minha carreira, eu nem acho importante o fato de se construir uma carreira. Se eu quisesse uma, continuaria no Brasil, lá tudo era mais confortável. No fim das contas, o que são estes anos perto dos quase 29 que eu já vivi e dos 50 que ainda espero viver? Eu sairia do nicho "Comunicação Informação" sem problema algum. Sei que se eu quiser retomar posso voltar para o Brasil onde tudo conspira a meu favor. 

Esta situação toda me lembra de que quando eu e Fábio decidimos nos mudar para Londres, um dos fatores era o de que não éramos felizes nos nossos empregos. Hoje, depois de tudo o que já aconteceu na minha vida desde agosto de 2011, não coloco tanta importância no trabalho. Quero ter um para pagar as contas e viajar. Pode ser qualquer um, até um parecido com o que eu tinha antes.

Ano que vem, no próximo 14 de junho, sei que estaremos vivendo aqui em Grenoble... Espero que eu esteja trabalhando. Veremos. De qualquer forma, neste momento o mais importante de tudo é continuar enchendo nossa bagagem com as experiências ricas que temos acumulado vivendo fora do Brasil. Uma amiga querida me mandou um email esta semana dizendo o seguinte: "Mesmo que o emprego não venha rápido (mais ça va venir!), o simples fato de estar aí vivenciando uma cultura que deve ser um pouco diferente da britânica, tendo oportunidade de falar francês, aprender as músicas, frequentar as bibliotecas, tudo isso é de uma riqueza que nenhum salário compensaria". Sim, ela está certa... 

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