Friday, November 21, 2014

Morar fora do Brasil

Nossa, faz tempo que não passo por aqui... Outro dia estava até cogitando a ideia de acabar com o blog, pois tenho vindo tão pouco neste espaço. Desde que nos mudamos para Grenoble, escrevo menos. Com a chegada do Dante, quase nada. Claro que ele me toma tempo, e eu faço questão de dar a ele todo o tempo que ele precisa. Porém, não é só isto. A vida em Grenoble é mais devagar mesmo...

Quando morávamos em Londres vivíamos uma loucura diária. Todos os dias alguma coisa diferente acontecia no trabalho, na faculdade, no metrô ou no supermercado... Uma cidade extremamente excitante, cheia de pessoas completamente diferentes umas das outras, gente do mundo todo, com costumes altamente variados, falando linguas que eu não tinha ideia de onde vinham. Todos os fins de semana havia algo interessante para fazer. E numa saída simples para um pub com a turma, um amigo trazia outro amigo, que trazia outro, e de repente eu conheceia mais umas 3 pessoas diferentes. Era bom viver daquele jeito. A gente pagava o preço. Literalmente. Viver em Londres era caro, mas pagávamos felizes a conta de morar numa cidade tão incrível.



Depois de 1 ano em Londres, tendo feito o que eu faria em 5 numa cidade "normal", deu para cansar. Não da cidade, mas da vida maluca! Cansaço físico e mental. O mestrado foi dureza, ainda trabalhava nas horas vagas, viajava umas duas vezes por mês, e saia muito com a galera. No fim de um ano eu estava exausta. Eu e Fábio vivíamos assim, pois sabíamos que nossa temporada em Londres tinha data para acabar, então não poupávamos esforços para nos divertir. E quando a temporada estava no fim, eu estava cansada de ter vivido 5 anos em 1. Ou talvez eu tenha inventado o cansaço para me  confortar psicologicamente com o fato de ter que deixar a cidade...

Nosso visto britânico estava expirando e não estávamos prontos para voltar ao Brasil. Foi quando surgiu a oportunidade de vir para a França. Surgiu não, foi na base de muito esforço do Fábio para conseguir um doutorado aqui. E então extendemos a temporada na Europa. Uma amiga francesa havia nos prevenido, "guys, Grenoble não é Londres", e acrescentou desolada "estou com medo de vocês se decepcionarem muito"... Só que não nos decepcionamos. A questão é que viemos parar em Grenoble justamente quando procurávamos uma vida mais tranquila. Foi perfeito, mas agora  tenho começado a achar tudo calmo demais, hehe.
Calma e linda.
Muito linda.
O Fábio já vai completar o segundo ano de doutorado, aqui são 3 anos. Juntando a alta probabilidade de voltar ao Brasil ano que vem com o fato de que não tenho muito mais a descobrir em Grenoble, o bichinho da mudança começou a me atormentar e penso que bem que gostaria de morar em outro país depois daqui. Quando falo que não gostaria de voltar ao Brasil, não quer dizer que eu não goste do meu país. Adoro e viveria feliz lá. Só que eu adoro também a ideia de viver em lugares diferentes. Morei no Brasil durante 26 anos, e com certeza voltarei para vivem muitos outros, mas quero ainda explorar mais lugares, culturas, idiomas...

Claro que eu sinto saudade da minha família e dos meus amigos, mas isso é gerenciável com tantas formas de comunicação à distância. E sendo bem sincera,é só isto que me faz falta. Eu adoro as praias brasileiras, a energia, a comida (sou mineira, onde temos umas das melhores culinárias do país, minha gente!). Só que nada disso me faz falta no dia a dia. Nunca mais comi arroz com feijão todo dia e está tudo bem. Não sou do tipo que sai louca atrás de um supermercado brasileiro para comprar coxinha ou farinha de mandioca. Claro que de vez em quando faço pão de queijo ou ensaio um pseudo-feijão tropeiro. E adoro quando um amigo brasileiro me convida para comer comida da terrinha. :-D

Churrasco feito por amigos gaúchos. Delicioso!
Feijoada maravilhosa que a amiga Su (que foi quem tirou esta foto) fez!
Beijinho e brigadeiro no aniversário do Arthur. Amo!
Porém, se eu passasse 1 ano sem nem sentir o cheiro destas coisas, não haveria problemas. Eu me adapto ao lugar e - já que não planejo viver no exterior para sempre - procuro comer o que os locais comem, descobrir o tempero deles e um modo de cozinhar diferente do meu. Simples assim. Há sabores que gosto mais, outros menos, mas é assim em qualquer lugar do mundo. Estou dando o exemplo da comida, mas tento ser flexível assim em todos os campos da minha vida. Não espero que a vendedora de loja na França vá ser igual a uma vendedora de loja brasileira, pois eu não estou no Brasil. Na Inglaterra, não esperava ter com meus colegas de trabalho a mesma relação que eu costumava ter com colegas no Brasil. Para mim nao é complicado entender isto.



Por causa deste blog, recebo muitos emails de pessoas que não conheço. E muitas me perguntam sobre a vida fora do Brasil, pois pensam em passar um tempo no exterior. E tem uma coisa que eu quase sempre falo: venha de coração aberto. Eu acho que se a pessoa entender que morar fora do Brasil é realmente uma mudança de vida, e estiver disposta a encarar isto de maneira positiva, tudo fica mais fácil. E aí, cuidado, pode viciar.  Você pode querer sair por aí conhecendo o mundo, pois vai entender a beleza das diferenças.


Thursday, September 25, 2014

Vida nova com o pequeno

Finalmente um tempo livre para escrever no blog! O Dante vai fazer 2 meses no próximo dia 27, e a esta altura tudo está mais calmo. Os primeiros dias após a saída da maternidade foram duros. Era tudo absolutamente novo para mim, para o Fábio e para o nosso pequeno. E a adaptação não é trivial, principalmente para pais de primeira viagem.

Nós ficamos sozinhos nas primeiras 3 semanas. Depois o Fábio voltou a trabalhar e em seguida minha mãe chegou para conhecer o neto e me ajudar a segurar a onda mais um tempo. Foi ótimo tê-la aqui, passeamos muito!

Fomos a Annecy, uma cidade linda aqui perto.

Annecy

Annecy
 Também a levamos a Saint Hilaire du Touvet, lugar com paisagens belíssimas e onde podemos ver o pessoal pular de parapente.
Saint Hilaire du Touvet
Saint Hilaire du Touvet
Ao Lac de Laffrey, um dos muitos lagos aqui das redondezas que o pessoal faz de praia durante o verão.
Lac de Laffrey

Lac de Laffrey
E passeamos muito por Grenoble também. Ela estava aqui no dia 27 de agosto, quando comemoramos meu aniversário de 30 anos e 1 mês do Dante.
30 anos meus, 1 mês do pequeno
Na volta do restaurante

Depois que ela foi embora, ficamos só eu e Dante durante o dia em casa. Dá muito mais trabalho, mas com um bebê tão tranquilo como ele é bem menos complicado. O fato dele já dormir a noite toda dá um alívio incrível no cansaço. E com o maridão que é completamente ativo na vida doméstica e na paternidade é mais fácil. Aliás, se não fosse o Fábio para segurar a onda das primeiras semanas, pois eu estava muito cansada física e emocionalmente, não sei o que teria sido.

O Dante não é de chorar muito e se acalma fácil. Então, saímos com ele para todo lado sem muita preocupação. No último fim de semana fomos a Avignon, uma cidade medieval muito bonita na Provence. Foi nossa primeira viagem com o pequeno em que dormimos fora. Deu mais trabalho do que as viagens que eu e Fábio fazíamos sozinhos, pois tivemos tivemos que carregar muito mais coisas, havia a preocupação de achar lugar para amamentar, ou um restaurante onde era possível entrar com carrinho, etc. Porém, vimos que é possível viajar com bebê e se divertir do mesmo jeito. E era uma delícia explicar as coisas para o nosso novo passageiro. :-)
Avignon
Avignon
Avignon
Nestes dois meses o Dante passou por várias fases, e eu também. Estamos nos descobrindo: eu como mãe e ele como filho, e os dois papéis são complicados. Por hora vamos tentando nos encontrar nesta nossa jornada fantástica cheia de surpresas, de sorrisos, de choros e de amor. :-)

Wednesday, August 27, 2014

Meu parto

Finalmente volto aqui para falar do meu parto. Acho que foi a experiência mais intensa que eu já vivi.

A data prevista para o parto era dia 03 de agosto, o dia em que eu completaria 41 semanas de gravidez. Então, o bebê poderia nascer antes, obviamente, já que a média são 40 semanas. E foi o que aconteceu: entrei em trabalho de parto no dia 26 de julho e o Dante nasceu dia 27.

Minha bolsa estourou dia 26 às 3h30 da madrugada. Levantei para ir ao banheiro e, de repente, vi aquele tanto de água descer. Cena de filme mesmo. Na hora me deu um super medo e pensava, "nossa, é agora, está acontecedo agora, não acredito". Chamei o Fábio que dormia no quarto, ele veio rapidamente, viu o aguaceiro no banheiro, eu nem precisava falar mais nada. A instrução que eu havia recebido da minha sage femme (uma mistura de enfermeira obstétrica e doula) é que se a bolsa estourasse, deveria ir ao hospital, mesmo que não estivesse sentindo contrações. Então, ajeitamos as últimas coisinhas pra levar, nos arrumamos, e partimos. Fomos caminhando mesmo (moramos a 15 minutos a pé do hospital), pois eu não estava sentindo nenhuma contração dolorosa e me sentia muito bem... A madrugada estava quente e caia uma chuvinha leve... 
A caminho da maternidade
Chegamos na maternidade às 4h20 e mediram minha pressão, o colo do útero, etc.. eu estava com 1cm de dilatação. Praticamente nada, né... Fui aconselhada a caminhar para acelerar o trabalho de parto. O hospital tem uma área verde linda, e estava super tranquilo, pois o dia estava nascendo ainda... Tudo perfeito.

Andei, dancei, esperei, tirei cochilo, e nada de diferente. E o Fábio ao meu lado o tempo todo, acompanhando tudo tranquilamente.

Depois resolveram fazer um monitoramento do coração do bebê e de como estavam minhas contrações... O Dante estava ótimo, mas as contrações que eu sentia eram as de treinamento, as mesmas que meu corpo fez durante toda a gravidez para me preparar para o grande dia. Não eram regulares, nem doloridas, não eram as do trabalho de parto...

A esta altura já eram quase 10 da manhã, então fui transferida para um quarto para tomar café da manhã, tomar um banho, relaxar... Ficamos lá, eu e Fábio, conversando, fazendo exercícios que eu tinha aprendido nas aulas de preparação ao nascimento, depois mais caminhada, depois almoço, mais monitoramento do bebê e da minha pressão, etc... e às 15h30 me fizeram um outro exame do colo e eu não tinha nem 2cm de dilatação. O Dante já estava super encaixado, com a cabeça bem embaixo e pronto para sair. Ele estava pronto, eu não... Neste momento me perguntaram se eu queria a Prostaglandina, que é tipo um hormônio que é colocado na vagina e serve para aumentar a dilatação. Depois de 12 horas tentando, sem sucesso, entrar em trabalho de parto ativo, concordei. 

As horas foram passando e as contrações começaram a vir em intervalos menores e um pouco mais fortes, mas nada de muita dor, e nem de muita regularidade. Lá pelas 23h a sage femme veio fazer o exame de toque e eu estava com apenas 2cm de dilatação... Percebi que o Dante só viria mesmo no dia seguinte. Quando saí de casa na madrugada do dia 26, jamais imaginaria o neném só nasceria dia 27...  A sage me disse para descansar e tentar dormir um pouco. Foi o que eu tentei fazer, mas as contrações começaram a ficar mais intensas e eu queria sentir cada uma e também contar o intervalo entre elas e verificar a evolução de tudo. A madrugada chegava e as contrações cada vez mais fortes. Finalmente. Não que eu gostasse de sentir dor, mas aquilo significava que meu bebê estava mais perto de chegar.

Mais ou menos umas 3h30 da madrugada, 24 horas depois que tudo começou, passei a sentir muito cansaço e muita dor. Ficar todo este tempo sem dormir e com o corpo trabalhando daquela forma era fatigante. Quanto à dor, consegui administrar bem graças aos exercícios que eu havia aprendido, à bola suiça, ao conhecimento de como respirar, como movimentar o corpo... Bendita madame Delphine, a sage femme que me ensinou que expirar ao mesmo tempo em que se movimenta a bacia para frente dá um grande alívio. O Fábio foi ainda mais essencial nesta hora. Eu estava cansadíssima, então ele me ajudava com a bola suiça e me segurava para não cair de sono. Em um momento, eu estava sentada na bola, e ele sentado numa cadeira atrás de mim de forma a me segurar enquanto eu me mexia, mas eu estava com tanto sono que eu dormia entre uma contração e outra. Elas vinham a cada 3 ou 4 minutos, eu enconstava no Fábio e dormia, e quando elas recomeçavam eu acordava, obviamente, e o Fábio ia me movimentava para frente, me ajudando a fazer o movimento correto para suportar melhor a dor.
A situação foi ficando punk, sentia bastante dor, as contrações estavam mais regulares... Então, a sage femme falou que já poderíamos ir para a sala de parto e perguntou se eu queria uma anestesia. Eu quis. Admiro muito as mulheres que vão até o fim sem nenhum tipo de analgesia, mas eu não sou tão guerreira assim... Pela manhã, já dia 27, tomei a peridural. Umas 3 horas depois, para o trabalho de parto evoluir ainda mais, tomei o hormônio ocitocina. Ah, no começo a peridural pegou só de um lado, então em certo momento eu estava com uns 8 cm de dilatação e sentindo muita dor apenas do lado esquerdo. Surreal. O anestesista voltou e aplicou algo para espalhar a anestesia, deu certo.

Quando eu estava com dilatação completa, as sages iniciaram comigo o momento do nascimento. Na verdade, elas não faziam quase nada, quem trabalhava era eu e o bebê. Eu fazendo força e meu pequeno tentando encontrar o caminho da saída. As sages me ajudavam dizendo a hora em que eu deveria empurrar, pois com a anestesia eu perdi este instinto. Foram 4 contrações para o Dante sair. E quando ele saiu e foi colocado no meu colo, foi tão incrível! Ele chorou assim que nasceu, depois ficou calminho lá comigo... Foi aí que resolvi abrir a perninha dele para ver se era menino ou menina. :-D. Foi emocionante.

Em seguida, ali mesmo na sala onde eu estava, foram fazer os testes pós nascimento nele e voltaram com ele para mim para mamar ainda na primeira hora de vida. Após a mamada, limparam-no (o banho de verdade só depois de 24 horas). O Fábio estava na sala acompanhando e registrando tudo. E o Dante não saiu de perto da gente em nenhum momento. Depois fomos todos para o quarto. :-)
No fim das contas achei meu parto muito mais medicalizado do que eu desejava. Eu nunca pensei que fosse ter um parto induzido ou que fosse precisar de ocitocina sintética. E ainda tive que tomar antibiótico, pois a bolsa estava rompida há muitas horas e havia risco de infecção. Por outro lado, tive de todos o carinho e respeito que eu precisava num momento tão importante. As memórias que guardo deste dia são bonitas e me trazem um sentimento bom... 

E um mês depois, nosso pequeno já está bem grandinho... 

Sunday, August 03, 2014

Bem vindo, pequeno Dante!

Nasceu! É um garoto! :-D

Nosso pequeno Dante nasceu dia 27 de julho, às 13h02 no Centre Hospitalier Universitaire - CHU de Grenoble. Nasceu através de um parto normal, pesando 3,680kg e medindo 52cm.

Quando estivermos mais tranquilos volto aqui para contar do parto que foi bem longo, aconteceu 33 horas depois que a bolsa estourou. Por enquanto estamos focados no nosso "petit prince" e aprendendo a ser mãe e pai. :-)



 A+

Thursday, June 26, 2014

Mais da gravidez em terras francesas

Estamos na reta final para a chegada do baby! Mais 1 mês e teremos um novo morador na casa. O cantinho dele já está praticamente pronto. Faltam algumas coisinhas, mas digamos que se ele chegasse amanhã já poderíamos recebê-lo dignamente.

35 Semanas!
Temos ouvido conselhos de amigos nos dizendo  para aproveitarmos nosso tempo sozinhos, passear, fazer programas românticos, etc, pois quando o baby chegar, vamos ficar com a agenda mais restrita e com outro foco. O fato é que eu e Fábio temos feito isto desde que nos conhecemos, então não existe ânsia neste sentido. Estamos juntos há mais de 5 anos e neste tempo aproveitamos muito a vida de casal. Não apenas no sentido romanceado, mas na lógica porra-louca também, porque a gente já fez muita bagunça junto. O bebezinho está vindo numa boa hora e vai ganhar de presente uma mãe e um pai com muitas histórias para contar. :D

Eu e o baby estamos passando bem. Ele mais do que eu, curtindo a piscininha dele dentro de mim e me chutando fervorosamente. Quanto a mim, tenho vivido a época mais chatinha da gravidez. Sinto muita falta de ar com este útero que não cessa de crescer. Minha pressão é baixa, então volta e meia sinto um mal estar de precisar sentar imediatamente ou sinto que vou cair. Não encontrei a posição perfeita para dormir, então de vez em quando me aparecem umas dores nas costas. E com  os quilos a mais que ganhei, subir as escadas do meu prédio não é mais tão trivial quanto já foi. Fora o calor que está demais nesta cidade, isto não melhora as coisas. Claro que isto não é toda hora, na maior parte do tempo estou bem. Caminho, faço piquenique no parque, encontro os amigos, vou à festinhas, assisto feliz aos jogos da copa... Só que preciso estar sempre atenta se tem um lugar para sentar, para fazer xixi, para pegar um ar... :P

Esta semana terminei minhas sessões de preparação ao nascimento no hospital onde terei o bebê. Adorei a sage femme que ministrou o "curso", uma fofa, como todas as sages que já encontrei por aqui. Conversamos bastante sobre o parto, o medo, a dor, a amamentação, a respiração, exercícios, etc. E a cada sessão ia me sentindo mais preparada. E ainda tive palestras sobre analgesia na hora do parto, sobre como as coisas acontecem na maternidade daquele hospital, etc.
Durante uma sessão.
Palestra sobre analgesia.
Estas sessões foram muito importantes para mim principalmente pelo fato de eu não ser francesa, de morar em Grenoble há relativamente pouco tempo e não ter conhecimento prévio de como as coisas funcionam neste país. E ser a "estranha no ninho" na classe foi ótimo para compartilhar experiências com as outras mães e trocar um pouco de conhecimento Brasil/França. Na aula sobre a cesárea, por exemplo, aprendi que naquele hospital são realizadas de 15 a 20% de cesáreas por ano. E os obstetras e sages consideram este número alto. Quando contei que na maioria dos hospitais privados do Brasil a taxa é inversa: apenas 15 a 20% de partos normais, todas me olharam com cara de muito espanto. Por outro lado os partos normais aqui são muito medicalizados, 70% das mulheres fazem uso da peridural, que por consequencia aumenta o uso dos hormonios artificiais e por aí vai... Segundo minha sage, a França deveria se inspirar em alguns países do norte da Europa, onde há bem menos analgesia e tudo é mais natural. Na opinião dela, quanto mais natural, melhor sentimos o nosso corpo e sabemos o que fazer no dia D. E se seguirmos a fisiologia do corpo que se prepara para o parto, o bebê simplesmente nasce tranquilamente, nem precisa de sage femme ou médico para isso. Estou falando de gravidez tranquila, não das de risco, obviamente. Ah, mas ela é contra os partos domiciliares, considera isto um retrocesso e acha muito importante parir no hospital para o caso de qualquer imprevisto. São opiniões dela, não vou sair por aí falando "os franceses pensam assim", porque cada um pensa diferente. Eu mesma não encararia um parto em casa, da mesma forma como não encararia uma cesárea desnecessária... cada um escolhe o que é melhor para si, certo?

Uma coisa que eu achei muito legal saber foi que eu não preciso parir na posição ginecológica se eu não quiser. Fui apresentada à cama do hospital que se move toda conforme a posição que a mulher prefere e se sente mais confortável para dar a luz. E as sage femmes estarão lá para orientar e opinar, claro. Outra coisa bacana é que eles acham muito importante o "pele a pele" mãe e filho logo após o parto. Então, se algo inesperado acontecer e, por exemplo, for necessário fazer uma cesárea de emergência o "pela a pele" tem que ser feito pelo pai, já que após uma cesárea a mãe não está imediatamente disponível para a criança.

Acho que vou ter meu bebê num bom lugar. A sage falou que o tratamento que receberemos neste hospital de Grenoble, com certeza será mais doce que numa grande maternidade de Paris. E que todos ali são muito apaixonados pelo trabalho que realizam, então podemos confiar que eles vão tentar fazer com que o dia do nosso parto só nos traga boas memórias. :D Fingers crossed.

Friday, May 16, 2014

Última parada: Babymoon!!


Todo mundo que me conhece um pouquinho sabe que eu amo viajar. E como é paixão do Fábio também, é nisto que nós investimos. Por enquanto nós não juntamos grana para comprar carro, resolvemos não se envolver em parcelas de compra de apartamento, nem qualquer outro bem. Viagem é tão importante para nós que nem festa de casamento a gente teve, pois preferimos gastar dinheiro com a lua de mel. A prioridade, hoje, é viajar, conhecer o diferente, se aventurar por aí. Como já contei aqui, nós largamos tudo no Brasil há quase 3 anos para viver a experiência de se jogar no mundo. Mestrado e doutorado foram os meios para conseguir este fim, mas nunca o principal objetivo. De lá para cá moramos em dois países e estivemos em muitos outros para visitar. Nosso ritmo de viagens era tão intenso na época em que morávamos em Londres (vantagem de se viver numa cidade com 4 aeroportos, e extensa linha de trens e ônibus) que um dia estipulei minha meta: conhecer 30 países em 30 anos. Fui viajando e parei de contar, então no último mês enquanto passava a noite presa na imigração da Turquia e sem nada para fazer, resolvi listar os lugares que havia visitado e percebi que já tinha tinha cumprido a meta. Hoje são 33 países em 29 anos. :D E para ficar mais excitante, 1 deportação de brinde!

E como viajar é preciso, passei aqui hoje para contar da última aventura, nossa Babymoon! Foi nossa última viagem (pelo menos uma grande) antes do nascimento do baby, que chegará em 2 meses e meio (já!!!). Passamos 15 dias fora e minha barriga cresceu bastante neste tempo. Na ida, nenhuma companhia aérea me perguntava sobre a gravidez, na volta todas queriam saber de quantas semanas eu estava. Viajamos exatamente na 28a semana, a última para poder embarcar sem atestado médico. 



Saímos da França direto para Bucareste, pois passaríamos o fim de semana de Páscoa com um casal de amigos romenos queridos: Irina e Mihail. Viagem incrível, amigos-guias sensacionais, e oportunidade única de conhecer uma cidade pelos olhos dos locais, comendo pratos típicos feitos pela mãe da Irina, e conhecendo toda a tradição da Páscoa num país onde a Igreja Ortodoxa predomina. Andamos bastante pela cidade, e nossos amigos nos levaram tanto a pontos turísticos importantes quanto aos aos seu endereços preferidos. E eles conhecem muito da história e cultura romenas, então foi um banho de conhecimento adquirido neste fim de semana. A recepção maravilhosa feita pelo casal contribuiu para que gostássemos bastante da cidade. Até rolou planos de uma futura viagem pelo interior do país, quem sabe? :)





  
De Bucareste voamos para Istambul, nosso primeiro destino na Turquia. Porém, nem tudo saiu como o planejado. Devido a um problema na validade do passaporte do Fábio, não nos deixaram entrar no país. Quer dizer, eu poderia entrar, eles deixaram isto bem claro, mas escolhi não ir. Tentamos de tudo, usamos todos os argumentos possíveis, mas não deu certo, "regras são regras", diziam eles. Regras estas que haviam mudado há uma semana e nos pegou um pouco de surpresa. Então passamos uma noite na área internacional do aeroporto, na salinha de deportados. Não juntos, pois tivemos que ficar em salas separadas: homem para um lado, mulher para o outro. Dividi "cela" com russas e congolesas. Foi importantíssimo saber falar inglês e francês, pois em determinado momento eu era a única que conseguia me comunicar com todas as "detidas" usando um destes idiomas. Na manhã seguinte nos mandaram de volta para Bucareste (a regra geral é voltar para o seu último destino). E a gente nem podia ligar para os nossos amigos romenos, pois neste dia eles partiriam para o interior do país. Em Bucareste, fomos na embaixada fazer outro passaporte para o Fábio e deu tudo certo. No dia seguite voamos de volta para Istambul, passamos pela fronteira sem qualquer problemas e finalmente pisamos em solo turco. A deportação foi uma experiência interessante e merece um post só para ela, pois há muita coisa para falar. Então, logo volto aqui para contar os bastidores deste momento "especial".

Havíamos programado 3 dias em Istambul, mas com esta confusão toda, ficamos apenas 1. Definitivamente não é suficiente, a cidade é grande e cheia de atrações. Porém, é o que tínhamos então aproveitamos cada minuto. É fato que minhas energias estavam no fim quando chegamos lá, pois após o ocorrido estava me sentindo abatida psicologicamente e fisicamente. Portanto, não consegui me apaixonar por Istambul, mas enxergo nela uma cidade com bastante potencial na qual preciso voltar menos desgastada.






De Istambul partimos para a capital: Ancara. Foi um bela surpresa. Não é uma cidade que atrai turistas, mas deveria. Gostei muito de andar por lá, comi muito bem e o clima estava ótimo. Enfim, valeu a pena ter incluído no roteiro.





























Depois de Ancara... praia!!! Este era o objetivo principal da babymoon: pegar praia! A gente queria conhecer a costa turca, que não é destino de muitos brasileiros, mas os europeus costumam ir bastante, principalmente os britânicos. Passamos por Bodrum, Fethyie e Antalya. E destas cidades fomos para Oludeniz - onde o mediterrâneo tem a cor mais linda que já vi -, passeamos de barco por algumas ilhas ali perto, e tomamos muito sol em várias praias. Foi ótimo, relaxante, perfeito para recuperar as energias e se preparar para a chegada do baby.



































No meio disso tudo fomos para Pamukkale. Qureríamos ver de perto a montanha coberta de calcário e moldada pelos sulcos d'água. Passeio lindo.





Comemos muito bem nesta viagem. Eu não esperava menos. Nós morávamos numa região turca em Londres, e foi nesta época que nos apaixonamos pela culinária deste país (que é muito mais que os kebabs). Provei de tudo e até o Ayran (o tradicionalíssimo iogurte com sal) que pode ter um gosto estranho no começo, virou bebida diária para mim.

Foi difícil entrar, mas foi bom insistir. A Turquia merece uma visita. ;)