Tuesday, March 18, 2014

Preparando o terreno para ser mãe

5 meses!
Tenho lido algumas coisas sobre maternidade. Textos de todo lugar:  Brasil, França, Inglaterra, Estados Unidos, Índia... Incrível haver tantas teorias diferentes a respeito do mesmo assunto. Por exemplo:

- Criança não pode usar chupeta de jeito nenhum versus chupeta é super importante até tal idade;
- Criança não pode dormir na cama dos pais versus sim, pode e deve de vez em quando;
- Não pode dar muito colo para não mimar versus tem que dar colo sempre que o bebê pedir;
- Etc versus etc...

No fim das contas o que apreendi disso tudo é que os pais devem escolher o que acham que será bom para o seu próprio filho sem pirar com as mil teorias. E, muito importante, não devemos julgar a forma como os outros pais criam suas crianças.

Falando em julgamentos, tenho sofrido alguns. O principal deles é em relação ao uso de fralda de pano. Pois é, eu quero usá-las. E todos perguntam, "está maluca?!?!", "por quê?!?!". E às vezes soltam um "boa sorte" sarcástico. Talvez eu esteja maluca sim. E a razão é simples: sustentabilidade. Todos me falam "mas vai dar muito trabalho!", só que não é tanto trabalho assim. Quem diz isso imagina as fraldas do tempo das nossas mães e avós, mas hoje as coisas mudaram. As fraldas estão muito mais práticas, modernas, fáceis de usar e pode jogar na máquina. Ah, e muito mais fofas. Vejam abaixo uns exemplos:
Foto tirada deste site.
Não se enganem e pensem que eu sou uma ecochata. Nada disso, faço muito menos do que poderia e deveria, mas a fralda é um ponto que quero cuidar, então vou embarcar nesta. Penso em usar as descartáveias também, talvez para viagens ou para passeios. Caso alguém se interesse, existem umas descartáveis ecológicas bem legais que utilizam alguns materiais biodegradáveis, e usam menos produtos químicos que possam agredir o bebê e o ambiente. :) 

Fico pensando se as pessaos se espantam com o uso da fralda de pano, imaginem se eu fosse fazer o método Elimination Communication, em que não se usa fralda nenhuma? Teorias, teorias...

Outra assunto que fazem as pessoas atirarem pedras é o fato de eu querer criar meu filho num ambiente menos sexista. Gostaria de ver meu pequeno ou pequena se divertindo com o brinquedo que achar mais legal, usando a cor que gostar mais, etc, sem os estereótipos "isto é para menino, isto é para menina". Conheci uma professora universitária em Grenoble que pequisa sobre estereótipos de gênero. Fui na casa dela e conheci sua filhinha Lea de 4 anos. A garota tinha todo tipo de brinquedo: de boneca a carrinho de controle remoto, passando por instrumento musicais, maquiagem e bonecos super-heróis. E ela brincava com todos. Alguns me disseram que isto não funciona e que vou quebrar a cara. Não me convenceram, pois todas as justificativas que me deram eram, de alguma forma, meio machistas ou simplesmente não tinham um bom fundamento. E se deu certo com a Lea, já um caso que sucesso. Então, vou tentar, não perco nada com isso. E vamos torcer para que as empresas que vendem brinquedos colaborem na forma de divulgar seus produtos, como vi neste artigo que cita uma empresa cujo catálogo não separa os brinquedos por gênero.


E já que estamos falando de gênero, eu já disse aqui no blog que não queria saber o sexo do baby. Porém, estes dias o Fábio questionou isto, então já comecei a me influenciar, hehe. Tenho uma ultra na semana que vem e até lá vamos decidir se queremos saber ou não.

Além de ler sobre maternidade, como disse aqui no início, tenho comprado algumas coisinhas pro novo morador da casa, que, em tempo, não terá um quarto só para ele. Moramos num apartamento de 1 quarto apenas e não temos nenhuma intenção de nos mudarmos. Amamos nosso bairro, nossa casa, tudo! Portanto, nosso filho não terá um quartinho, terá um cantinho. Pelo menos até ele completar 1 ano e meio, que é quando nosso contrato de aluguel termina. Já me falaram que não é o ideal, mas o ideal para quem? Segundo qual teoria? Para a minha vida agora será o ideal. :)

O bom é que eu nunca sonhei em fazer quartinho de bebê, então não existe frutração neste quesito. E de quebra ainda fujo um pouco da indústria da maternidade. São tantas coisas que os pais "têm" que comprar para satisfazer as "necessidades" dos nenéns... Eu e Fábio estamos bem fora deste universo. Por mais que eu ache várias coisinhas fofas, só compro o necessário mesmo. E ainda compro alguns objetos de segunda mão, como foi o caso do carrinho, do bebê-conforto, da banheira... Aqui na França a compra e venda de usados é super comum. O site mais popular que faz este serviço, o Le Bon Coin, é o terceiro mais acessado do país, só perde para Facebook e Google. Vou tentando ser consumista consciente e fugir da loucura deste mundo paralelo de compras para bebê. Tenho uma amiga que está grávida e tem a mesma visão que eu. Ela mora no Brasil e falou que é irritante todo mundo perguntar porque ela não vai fazer enxoval nos Estados Unidos...

Estas são algumas questões que eu queria dividir aqui. Não são verdades absolutas, não tenho medo de mudar de opinião depois, e compreendo que outros pais fazem, fizeram ou farão de forma totalmente diferente. Cada pai e mãe são únicos e cada criança funciona de uma forma. O que nos cabe é aceitar a liberdade do outro e fazer o treinamento diário de julgar menos. ;)

11 comments:

  1. Nic, sua linda! Acho fantástica essa sua visão da maternidade, da criação de filhxs, especialmente nessa questão de tentar fugir do sexismo que vivemos e sofremos todos os dias. Te dou a maior força e te admiro muito por ter a personalidade de tentar fazer a coisa certa mesmo que pouca gente faça! Grande beijo e tudo de bom pra você, Fábio e @ bebê!!

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    1. Brigada pelo carinho, Angel! <3 Beijo enorme.

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    2. Amei o post! Estás super certa de ser mais eco, de criar teu baby não consumista, etc, etc. Acho que cada um com seu cada qual (já escutou isso ou é coisa de gaúcho?). E o mais importante do post: devemos julgar menos os outros!
      Adorei te conhecer e quero te encontrar mais antes de ir embora, ok?

      Ahhh... estás DI-VI-NA!
      Beijos

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  2. Eu sou daquelas que diz um "boa sorte" sarcástico, quanto às fraldas! SAHUHUHAUHAUHUAHU!!! Vai fundo, amiga! Cada um no seu cada um! :) Bjo! Patricia

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    1. Claro, senao nao seria minha amiga Patty, rs. Beijao, fofa! Saudades de ti.

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  3. Outra cosia: nem sei bem certo qual a minha reação quando tu me falou das fraldas... acho interessante, apesar de desejar boa sorte, especialmente nos primeiros meses... hehehehe

    Mas é importante estares aberta para mudar de decisão, pois as vezes a vida fica tão complicada com um novo serzinho que é melhor facilitar nestas coisas... mas torço para que consigas... de verdade ;)

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    1. EAline, sua reacao das fraldas foi ótima! Nao me julgou, nem nada, só falou do trabalho... :) Pois é, a gente tem umas ideia que as vezes nao dao certo, mas a gente tem que tentar, né. A gente vai se ver antes de vc ir embora, com certeza. E tenho que devolver seu livro... Grande beijo.

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  4. Nic, antes de tudo parabéns!!! E saudades de vocês!

    Parabéns pelaS iniciativaS nas escolhas para a forma de viver que vocês escolheram. Vocês são pessoas realmente incríveis, sensacionais e corajosas.

    Parabéns quanto a escolha inicial de não saber o sexo d@ bebê, o que influencia menos ainda nas escolhas de como preparar a chegada para recebê-l@.

    Parabéns também por serem adaptáveis e não se sentirem pressionados a mudar de vida por conta de um fruto que está vindo com tanto amor. De fato, o que o mundo capitalista espera de todos é que todos gastem horrores por coisas sem importância e que percam a noção do essencial, e isto vocês não perderam até então.

    Parabéns por ter consciência de que ideias mudam, e que você pode mudá-las quando achar melhor. Tanto para saber o sexo d@ bebê neste momento da gravidez; quanto a ter um cantinho ou quartinho, e quem sabe quartão futuramente; quanto a escolher as fraldas de pano em vez das descartáveis, acho louvável, mas entenderei perfeitamente se optar mais pra frente pela descartável, afinal de contas só quem passa ou passou pelas experiências do uso delas que sabe bem o trabalho, as consequências e os benefícios que cada uma acarreta.

    Sou uma pessoa feliz por tê-los conhecido e agora vejo que esta criança será muito feliz por ter vocês como pais. E não se esqueçam, assim como você já disse, vocês serão os pais e só vocês saberão a melhor forma de criar esta criança. Opniões são sempre bem vindas, mas as opções são de vocês.

    E se souberem o sexo, por favor me falem! Sou curiosa!!! rsrsrsrs E se não souberem, tanto faz! A vida e as escolhas são suas!!! ;)

    Beijos, fiquem com Deus e que você, Nic, tenha uma boa hora.

    Helba.

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    1. Ei Helba, obrigada pelas palavras carinhosas... Pode deixar que se a gente souber o sexo, vamos contar. ;) Beijao pra ti.

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  5. Nic, querida, baby tb é meu tema do momento! Então lá vai algumas questões pra compartilhar: adorei que vc tenha levantado a questão de gênero no seu post. Tb pretendo "lutar" um pouquinho com o sistema pq, como feminista convicta, não poderia ser diferente. 1º de tudo: exemplo: eu e Raum dividimos todas as atividades, exceto a amamentação por motivos óbvios. Faço questão tb que a Laurinha veja o Raum fazendo comida e outras coisas tradicionalmente vistas como papel da mulher pra que ela justamente não associe papéis estereotipados. Não comprei nenhuma boneca pra ela até agora. ela ganhou algumas e tudo bem, mas não pretendo ficar estocando bonecas, prefiro instrumentos musicais, brinquedos de montar, fazer brinquedos de material reciclável, essas coisas. Espero que isso tudo ajude ela a se tornar um ser humano livre sem as amarras relacionadas ao gênero! Sobre as fraldas, sou sua fã por decidir usar as de pano! Eu não topei essa, mas dou o maior incentivo. Coisas inúteis pra mim: não precisei de mamadeira (apesar de ter comprado várias). O negócio dela é peito! Nada de chupeta e ela tb não pegou dedo. Sobre o quartinho tb não fiz um. Ela dormiu no quarto com a gente no berço portátil até 9 meses, mas recomendo que vc prepare um lugar pra ela brincar no chão a partir dos 5 ou 6 meses quando o bb começar a sentar. Banheira: praticamente não usamos. Raum dá banho nela de chuveiro desde os 3 dias de vida. No mais, o que um bebê realmente precisa: roupinhas confortáveis e adequadas ao clima, cuidados de higiene, peito, peito, peito e muuuuuuuuuuiiiiiito amor carinho! bjoks -- Gilvânia

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    1. Gil, adorei saber suas estratégias. :) Vou mandar email para irmos conversando mais sobre isso. Beijao!

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