Thursday, June 26, 2014

Mais da gravidez em terras francesas

Estamos na reta final para a chegada do baby! Mais 1 mês e teremos um novo morador na casa. O cantinho dele já está praticamente pronto. Faltam algumas coisinhas, mas digamos que se ele chegasse amanhã já poderíamos recebê-lo dignamente.

35 Semanas!
Temos ouvido conselhos de amigos nos dizendo  para aproveitarmos nosso tempo sozinhos, passear, fazer programas românticos, etc, pois quando o baby chegar, vamos ficar com a agenda mais restrita e com outro foco. O fato é que eu e Fábio temos feito isto desde que nos conhecemos, então não existe ânsia neste sentido. Estamos juntos há mais de 5 anos e neste tempo aproveitamos muito a vida de casal. Não apenas no sentido romanceado, mas na lógica porra-louca também, porque a gente já fez muita bagunça junto. O bebezinho está vindo numa boa hora e vai ganhar de presente uma mãe e um pai com muitas histórias para contar. :D

Eu e o baby estamos passando bem. Ele mais do que eu, curtindo a piscininha dele dentro de mim e me chutando fervorosamente. Quanto a mim, tenho vivido a época mais chatinha da gravidez. Sinto muita falta de ar com este útero que não cessa de crescer. Minha pressão é baixa, então volta e meia sinto um mal estar de precisar sentar imediatamente ou sinto que vou cair. Não encontrei a posição perfeita para dormir, então de vez em quando me aparecem umas dores nas costas. E com  os quilos a mais que ganhei, subir as escadas do meu prédio não é mais tão trivial quanto já foi. Fora o calor que está demais nesta cidade, isto não melhora as coisas. Claro que isto não é toda hora, na maior parte do tempo estou bem. Caminho, faço piquenique no parque, encontro os amigos, vou à festinhas, assisto feliz aos jogos da copa... Só que preciso estar sempre atenta se tem um lugar para sentar, para fazer xixi, para pegar um ar... :P

Esta semana terminei minhas sessões de preparação ao nascimento no hospital onde terei o bebê. Adorei a sage femme que ministrou o "curso", uma fofa, como todas as sages que já encontrei por aqui. Conversamos bastante sobre o parto, o medo, a dor, a amamentação, a respiração, exercícios, etc. E a cada sessão ia me sentindo mais preparada. E ainda tive palestras sobre analgesia na hora do parto, sobre como as coisas acontecem na maternidade daquele hospital, etc.
Durante uma sessão.
Palestra sobre analgesia.
Estas sessões foram muito importantes para mim principalmente pelo fato de eu não ser francesa, de morar em Grenoble há relativamente pouco tempo e não ter conhecimento prévio de como as coisas funcionam neste país. E ser a "estranha no ninho" na classe foi ótimo para compartilhar experiências com as outras mães e trocar um pouco de conhecimento Brasil/França. Na aula sobre a cesárea, por exemplo, aprendi que naquele hospital são realizadas de 15 a 20% de cesáreas por ano. E os obstetras e sages consideram este número alto. Quando contei que na maioria dos hospitais privados do Brasil a taxa é inversa: apenas 15 a 20% de partos normais, todas me olharam com cara de muito espanto. Por outro lado os partos normais aqui são muito medicalizados, 70% das mulheres fazem uso da peridural, que por consequencia aumenta o uso dos hormonios artificiais e por aí vai... Segundo minha sage, a França deveria se inspirar em alguns países do norte da Europa, onde há bem menos analgesia e tudo é mais natural. Na opinião dela, quanto mais natural, melhor sentimos o nosso corpo e sabemos o que fazer no dia D. E se seguirmos a fisiologia do corpo que se prepara para o parto, o bebê simplesmente nasce tranquilamente, nem precisa de sage femme ou médico para isso. Estou falando de gravidez tranquila, não das de risco, obviamente. Ah, mas ela é contra os partos domiciliares, considera isto um retrocesso e acha muito importante parir no hospital para o caso de qualquer imprevisto. São opiniões dela, não vou sair por aí falando "os franceses pensam assim", porque cada um pensa diferente. Eu mesma não encararia um parto em casa, da mesma forma como não encararia uma cesárea desnecessária... cada um escolhe o que é melhor para si, certo?

Uma coisa que eu achei muito legal saber foi que eu não preciso parir na posição ginecológica se eu não quiser. Fui apresentada à cama do hospital que se move toda conforme a posição que a mulher prefere e se sente mais confortável para dar a luz. E as sage femmes estarão lá para orientar e opinar, claro. Outra coisa bacana é que eles acham muito importante o "pele a pele" mãe e filho logo após o parto. Então, se algo inesperado acontecer e, por exemplo, for necessário fazer uma cesárea de emergência o "pela a pele" tem que ser feito pelo pai, já que após uma cesárea a mãe não está imediatamente disponível para a criança.

Acho que vou ter meu bebê num bom lugar. A sage falou que o tratamento que receberemos neste hospital de Grenoble, com certeza será mais doce que numa grande maternidade de Paris. E que todos ali são muito apaixonados pelo trabalho que realizam, então podemos confiar que eles vão tentar fazer com que o dia do nosso parto só nos traga boas memórias. :D Fingers crossed.