Wednesday, August 27, 2014

Meu parto

Finalmente volto aqui para falar do meu parto. Acho que foi a experiência mais intensa que eu já vivi.

A data prevista para o parto era dia 03 de agosto, o dia em que eu completaria 41 semanas de gravidez. Então, o bebê poderia nascer antes, obviamente, já que a média são 40 semanas. E foi o que aconteceu: entrei em trabalho de parto no dia 26 de julho e o Dante nasceu dia 27.

Minha bolsa estourou dia 26 às 3h30 da madrugada. Levantei para ir ao banheiro e, de repente, vi aquele tanto de água descer. Cena de filme mesmo. Na hora me deu um super medo e pensava, "nossa, é agora, está acontecedo agora, não acredito". Chamei o Fábio que dormia no quarto, ele veio rapidamente, viu o aguaceiro no banheiro, eu nem precisava falar mais nada. A instrução que eu havia recebido da minha sage femme (uma mistura de enfermeira obstétrica e doula) é que se a bolsa estourasse, deveria ir ao hospital, mesmo que não estivesse sentindo contrações. Então, ajeitamos as últimas coisinhas pra levar, nos arrumamos, e partimos. Fomos caminhando mesmo (moramos a 15 minutos a pé do hospital), pois eu não estava sentindo nenhuma contração dolorosa e me sentia muito bem... A madrugada estava quente e caia uma chuvinha leve... 
A caminho da maternidade
Chegamos na maternidade às 4h20 e mediram minha pressão, o colo do útero, etc.. eu estava com 1cm de dilatação. Praticamente nada, né... Fui aconselhada a caminhar para acelerar o trabalho de parto. O hospital tem uma área verde linda, e estava super tranquilo, pois o dia estava nascendo ainda... Tudo perfeito.

Andei, dancei, esperei, tirei cochilo, e nada de diferente. E o Fábio ao meu lado o tempo todo, acompanhando tudo tranquilamente.

Depois resolveram fazer um monitoramento do coração do bebê e de como estavam minhas contrações... O Dante estava ótimo, mas as contrações que eu sentia eram as de treinamento, as mesmas que meu corpo fez durante toda a gravidez para me preparar para o grande dia. Não eram regulares, nem doloridas, não eram as do trabalho de parto...

A esta altura já eram quase 10 da manhã, então fui transferida para um quarto para tomar café da manhã, tomar um banho, relaxar... Ficamos lá, eu e Fábio, conversando, fazendo exercícios que eu tinha aprendido nas aulas de preparação ao nascimento, depois mais caminhada, depois almoço, mais monitoramento do bebê e da minha pressão, etc... e às 15h30 me fizeram um outro exame do colo e eu não tinha nem 2cm de dilatação. O Dante já estava super encaixado, com a cabeça bem embaixo e pronto para sair. Ele estava pronto, eu não... Neste momento me perguntaram se eu queria a Prostaglandina, que é tipo um hormônio que é colocado na vagina e serve para aumentar a dilatação. Depois de 12 horas tentando, sem sucesso, entrar em trabalho de parto ativo, concordei. 

As horas foram passando e as contrações começaram a vir em intervalos menores e um pouco mais fortes, mas nada de muita dor, e nem de muita regularidade. Lá pelas 23h a sage femme veio fazer o exame de toque e eu estava com apenas 2cm de dilatação... Percebi que o Dante só viria mesmo no dia seguinte. Quando saí de casa na madrugada do dia 26, jamais imaginaria o neném só nasceria dia 27...  A sage me disse para descansar e tentar dormir um pouco. Foi o que eu tentei fazer, mas as contrações começaram a ficar mais intensas e eu queria sentir cada uma e também contar o intervalo entre elas e verificar a evolução de tudo. A madrugada chegava e as contrações cada vez mais fortes. Finalmente. Não que eu gostasse de sentir dor, mas aquilo significava que meu bebê estava mais perto de chegar.

Mais ou menos umas 3h30 da madrugada, 24 horas depois que tudo começou, passei a sentir muito cansaço e muita dor. Ficar todo este tempo sem dormir e com o corpo trabalhando daquela forma era fatigante. Quanto à dor, consegui administrar bem graças aos exercícios que eu havia aprendido, à bola suiça, ao conhecimento de como respirar, como movimentar o corpo... Bendita madame Delphine, a sage femme que me ensinou que expirar ao mesmo tempo em que se movimenta a bacia para frente dá um grande alívio. O Fábio foi ainda mais essencial nesta hora. Eu estava cansadíssima, então ele me ajudava com a bola suiça e me segurava para não cair de sono. Em um momento, eu estava sentada na bola, e ele sentado numa cadeira atrás de mim de forma a me segurar enquanto eu me mexia, mas eu estava com tanto sono que eu dormia entre uma contração e outra. Elas vinham a cada 3 ou 4 minutos, eu enconstava no Fábio e dormia, e quando elas recomeçavam eu acordava, obviamente, e o Fábio ia me movimentava para frente, me ajudando a fazer o movimento correto para suportar melhor a dor.
A situação foi ficando punk, sentia bastante dor, as contrações estavam mais regulares... Então, a sage femme falou que já poderíamos ir para a sala de parto e perguntou se eu queria uma anestesia. Eu quis. Admiro muito as mulheres que vão até o fim sem nenhum tipo de analgesia, mas eu não sou tão guerreira assim... Pela manhã, já dia 27, tomei a peridural. Umas 3 horas depois, para o trabalho de parto evoluir ainda mais, tomei o hormônio ocitocina. Ah, no começo a peridural pegou só de um lado, então em certo momento eu estava com uns 8 cm de dilatação e sentindo muita dor apenas do lado esquerdo. Surreal. O anestesista voltou e aplicou algo para espalhar a anestesia, deu certo.

Quando eu estava com dilatação completa, as sages iniciaram comigo o momento do nascimento. Na verdade, elas não faziam quase nada, quem trabalhava era eu e o bebê. Eu fazendo força e meu pequeno tentando encontrar o caminho da saída. As sages me ajudavam dizendo a hora em que eu deveria empurrar, pois com a anestesia eu perdi este instinto. Foram 4 contrações para o Dante sair. E quando ele saiu e foi colocado no meu colo, foi tão incrível! Ele chorou assim que nasceu, depois ficou calminho lá comigo... Foi aí que resolvi abrir a perninha dele para ver se era menino ou menina. :-D. Foi emocionante.

Em seguida, ali mesmo na sala onde eu estava, foram fazer os testes pós nascimento nele e voltaram com ele para mim para mamar ainda na primeira hora de vida. Após a mamada, limparam-no (o banho de verdade só depois de 24 horas). O Fábio estava na sala acompanhando e registrando tudo. E o Dante não saiu de perto da gente em nenhum momento. Depois fomos todos para o quarto. :-)
No fim das contas achei meu parto muito mais medicalizado do que eu desejava. Eu nunca pensei que fosse ter um parto induzido ou que fosse precisar de ocitocina sintética. E ainda tive que tomar antibiótico, pois a bolsa estava rompida há muitas horas e havia risco de infecção. Por outro lado, tive de todos o carinho e respeito que eu precisava num momento tão importante. As memórias que guardo deste dia são bonitas e me trazem um sentimento bom... 

E um mês depois, nosso pequeno já está bem grandinho... 

14 comments:

  1. Ai, ai, Ni. Seu parto foi muito parecido com o meu primeiro em certos aspectos. Só que eu sofri muito, pois aqui falta muita informação e preparo para as mães de primeira viagem. Acho que todos os profissionais aqui acham tudo bobagem. Essa força e encaixe que te foi ensinado para aliviar as dores ninguém me ensinou e elas quase me derrubaram. Minha anestesia não pegou em nenhuma hipótese e eu não tive direito a uma segunda dose. E, quando eu tive uma inspiração divina e comecei a fazer força, então Bruna nasceu algum tempo depois. Com asfixia, pois estava enrolada no cordão e o trabalho de parto durou muito tempo: 18 horas, teve que receber manobras de ressuscitação. Como as coisas podem ser parecidas, mas os sentimentos diferentes, né? Como você estava muito bem preparada, deu conta de assumir seu parto e enfrentar tudo sentindo tranquilidade. Eu senti desespero e fraqueza. O consolo? Minha pequena fez 13 anos semana passada. Linda, forte e inteligente. Desculpe o testamento. Estou realmente feliz por sua experiência. Que bom que tudo deu certo e não se preocupe pelas intervenções. Muito melhor assim, com um resultado tão lindo! Espero conhecê-lo assim que vierem pelo Brasil. Beijos. Karina

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    1. Ei Karina, que pena que voce teve esta experiencia num momento tao importante... E é ótimo que voce divida aqui, assim ajuda outras mulheres a se informarem e evitarem traumas. A Brunina está uma lindeza, heim! Grande beijo.

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  2. Xiii... Digitei mas acho que nao foi.

    Surpresas sempre acontecem. Que bom que vcs estavam preparados e o Dante com vontade de vir ao mundo! Daqui uns meses sou eu contando do meu parto...rs. Beijos pra vcs e que o Fabio continue sendo esse parceirão!

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    1. Ei Aline, vou querer muito ler sobre seu parto e saber como será uma experiencia no Canadá. :-) Espero que voce tena um momento lindo! Beijao.

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  3. Lindo, lindo, lindo! Adorei tudo! Parabéns!

    Valéria Nascif

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    1. Que bom que gostou, Valéria! No futuro vou querer saber do seu. ;-) Beijao pra ti!

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  4. Amei conhecer cada detalhe sobre o nascimento do Dante. Não vejo a hora de conhecê-lo pessoalmente. Ele está fofo! Grande beijo.

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    1. Ei Andreia! Em dezembro voce vai conhece-lo. Beijo enorme.

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  5. Parabéns ao casal! O Dante é muito lindinho! Parabéns a ele também, pelos pais super cuca legal que ganhou! Abração em todos!

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    1. Valeu, Rossini! Ele é um lindo mesmo. Abração!

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  6. Que lindo, apesar das medicações tenho certeza que não ficou nenhum trauma no bebê por que vc estava bem consigo mesma, decidida e calma e isso é fantástico! Queria muito que aqui no Brasil tivessem esses cuidados com o bebê, mas a obstetrícia aqui ainda é muito desumana! Espero que meu parto posso ser tranquilo e eu estar segura do que quero que nem você! Um beijo

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    1. Oi Fer, infelizmente a obstetrícia no Brasil deixa mesmo muito desejar... Tenha uma boa hora. Fica tranquila e seu parto vai ser lindo. :-) Beijos

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  7. Oi Nicole! tava aqui lendo teus posts e não pude deixar de ler esse sobre o parto, mesmo sabendo quase tudo pois você já havia relatado sua experiência aqui em casa antes do Léo nascer. Só tenho uma ressalva no que diz respeito a anestesia. Como assim "não sou tão guerreira assim"? Mulher, toda mulher independente da escolha do seu parto (natural, com ou sem anestesia, ou cesária, ) é uma guerreira. Eu sofri muito pois também não aguentei e pedi anestesia, umas 15 h depois. Como eu havia passado 9 meses me preparando para suportar a dor e não pedir anestesia, no dia seguinte do parto eu me senti triste, como se não tivesse conseguido superar alguma coisa. Agora (5 meses depois) percebo que não havia nada a superar, ainda mais depois de 20 horas de trabalho de parto! Cada mulher tem sua história de vida, de gestação e , ao meu ver, somos todas, todas, todas, tão fortes e guerreiras umas quanto as outras. Então, quando leio seu post penso, nossa tu foi e muito guerreira! Sozinha com o Fabio e longe da família! Foi até a pé pro hospital! Esse papo de "ter de ser natural" precisa ser repensado. Pra mim é mais "ter o direito a opção de ser natural". Voilà! beijinhos!

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    1. Oi Gabi! Você tem razão, toda mulher é guerreira. É que eu tenho uma admiração surreal pelas mulheres que escolhem parir sem anestesia, então usei a palavra guerreira equivocadamente. Não acho que tem que ser natural a qualquer custo, a mulher tem que ser protagonista da situação e escolher o melhor pra ela. No momento do meu parto pedi anestesia, achei que era o mais acertado pra mim. Mas hoje continuo pensando que se for possível, quanto mais natural melhor. Não me culpo pela minha decisão, nem nunca fiquei triste, pois estava bem consciente do que estava pedindo, mas ainda penso que eu poderia ter ido mais longe e admiro quem vai. ;) Beijo!

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