Friday, November 21, 2014

Morar fora do Brasil

Nossa, faz tempo que não passo por aqui... Outro dia estava até cogitando a ideia de acabar com o blog, pois tenho vindo tão pouco neste espaço. Desde que nos mudamos para Grenoble, escrevo menos. Com a chegada do Dante, quase nada. Claro que ele me toma tempo, e eu faço questão de dar a ele todo o tempo que ele precisa. Porém, não é só isto. A vida em Grenoble é mais devagar mesmo...

Quando morávamos em Londres vivíamos uma loucura diária. Todos os dias alguma coisa diferente acontecia no trabalho, na faculdade, no metrô ou no supermercado... Uma cidade extremamente excitante, cheia de pessoas completamente diferentes umas das outras, gente do mundo todo, com costumes altamente variados, falando linguas que eu não tinha ideia de onde vinham. Todos os fins de semana havia algo interessante para fazer. E numa saída simples para um pub com a turma, um amigo trazia outro amigo, que trazia outro, e de repente eu conheceia mais umas 3 pessoas diferentes. Era bom viver daquele jeito. A gente pagava o preço. Literalmente. Viver em Londres era caro, mas pagávamos felizes a conta de morar numa cidade tão incrível.



Depois de 1 ano em Londres, tendo feito o que eu faria em 5 numa cidade "normal", deu para cansar. Não da cidade, mas da vida maluca! Cansaço físico e mental. O mestrado foi dureza, ainda trabalhava nas horas vagas, viajava umas duas vezes por mês, e saia muito com a galera. No fim de um ano eu estava exausta. Eu e Fábio vivíamos assim, pois sabíamos que nossa temporada em Londres tinha data para acabar, então não poupávamos esforços para nos divertir. E quando a temporada estava no fim, eu estava cansada de ter vivido 5 anos em 1. Ou talvez eu tenha inventado o cansaço para me  confortar psicologicamente com o fato de ter que deixar a cidade...

Nosso visto britânico estava expirando e não estávamos prontos para voltar ao Brasil. Foi quando surgiu a oportunidade de vir para a França. Surgiu não, foi na base de muito esforço do Fábio para conseguir um doutorado aqui. E então extendemos a temporada na Europa. Uma amiga francesa havia nos prevenido, "guys, Grenoble não é Londres", e acrescentou desolada "estou com medo de vocês se decepcionarem muito"... Só que não nos decepcionamos. A questão é que viemos parar em Grenoble justamente quando procurávamos uma vida mais tranquila. Foi perfeito, mas agora  tenho começado a achar tudo calmo demais, hehe.
Calma e linda.
Muito linda.
O Fábio já vai completar o segundo ano de doutorado, aqui são 3 anos. Juntando a alta probabilidade de voltar ao Brasil ano que vem com o fato de que não tenho muito mais a descobrir em Grenoble, o bichinho da mudança começou a me atormentar e penso que bem que gostaria de morar em outro país depois daqui. Quando falo que não gostaria de voltar ao Brasil, não quer dizer que eu não goste do meu país. Adoro e viveria feliz lá. Só que eu adoro também a ideia de viver em lugares diferentes. Morei no Brasil durante 26 anos, e com certeza voltarei para vivem muitos outros, mas quero ainda explorar mais lugares, culturas, idiomas...

Claro que eu sinto saudade da minha família e dos meus amigos, mas isso é gerenciável com tantas formas de comunicação à distância. E sendo bem sincera,é só isto que me faz falta. Eu adoro as praias brasileiras, a energia, a comida (sou mineira, onde temos umas das melhores culinárias do país, minha gente!). Só que nada disso me faz falta no dia a dia. Nunca mais comi arroz com feijão todo dia e está tudo bem. Não sou do tipo que sai louca atrás de um supermercado brasileiro para comprar coxinha ou farinha de mandioca. Claro que de vez em quando faço pão de queijo ou ensaio um pseudo-feijão tropeiro. E adoro quando um amigo brasileiro me convida para comer comida da terrinha. :-D

Churrasco feito por amigos gaúchos. Delicioso!
Feijoada maravilhosa que a amiga Su (que foi quem tirou esta foto) fez!
Beijinho e brigadeiro no aniversário do Arthur. Amo!
Porém, se eu passasse 1 ano sem nem sentir o cheiro destas coisas, não haveria problemas. Eu me adapto ao lugar e - já que não planejo viver no exterior para sempre - procuro comer o que os locais comem, descobrir o tempero deles e um modo de cozinhar diferente do meu. Simples assim. Há sabores que gosto mais, outros menos, mas é assim em qualquer lugar do mundo. Estou dando o exemplo da comida, mas tento ser flexível assim em todos os campos da minha vida. Não espero que a vendedora de loja na França vá ser igual a uma vendedora de loja brasileira, pois eu não estou no Brasil. Na Inglaterra, não esperava ter com meus colegas de trabalho a mesma relação que eu costumava ter com colegas no Brasil. Para mim nao é complicado entender isto.



Por causa deste blog, recebo muitos emails de pessoas que não conheço. E muitas me perguntam sobre a vida fora do Brasil, pois pensam em passar um tempo no exterior. E tem uma coisa que eu quase sempre falo: venha de coração aberto. Eu acho que se a pessoa entender que morar fora do Brasil é realmente uma mudança de vida, e estiver disposta a encarar isto de maneira positiva, tudo fica mais fácil. E aí, cuidado, pode viciar.  Você pode querer sair por aí conhecendo o mundo, pois vai entender a beleza das diferenças.


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