Saturday, February 28, 2015

Aventuras de uma mãe na França



Ontem o Dante fez sete meses! Já passou para a alimentação sólida, adora baguete, engatinha e o brinquedo preferido é a bola. Acho incrível o desenvolvimento dos bebês, todo dia tem novidade. Nesta data comemorativa resolvi passar no blog para contar um pouco dos nossos dias por aqui.



Estou adorando o inverno em Grenoble. Não está fazendo tanto frio, a maioria dos dias estão bonitos e mesmo quando neva não é nada que atrapalhe minha rotina. Só falta subir a montanha para fazer algum esporte de inverno, mas já estamos providenciando.





O Dante gosta de frio, ele se sente muito melhor do que quando está bastante calor. Saio com ele numa boa e ele não reclama nunca. Claro que está sempre devidamente vestido. Gosto  de usar o canguru para transportá-lo, acho mais prático. E de quebra  o Dante fica juntinho de mim e bem quentinho. De vez em quando uso o carrinho. O transporte público é acessível, então entro com o carrinho no ônibus e no tram sem problema algum. Além disso, a cidade é super plana e também completamente acessível. Carrinho de bebê sobe e desce facilmente em qualque lugar. Bom, pelo menos em todos os lugares pelos quais passei...



E chuva também não me desanima. Ontem queria pesá-lo já que comecei a introdução de alimentos e queria ver como isso se refletiu no peso. Estava caindo uma chuva chata, mas armei o carrinho com capa de chuva e fui! Tinha que aproveitar, pois a puericulturista estaria disponível só numa parte do dia. Não sei exatamente como é esta profissão no Brasil, mas aqui na França é uma espécie de enfermeira especializada em criança. A puericulturista me atendeu num centro de proteção maternal e infantil (PMI - Protection Maternelle et Infantile). Este centro é público, completamente gratuito e podemos levar o bebê para pesar, tirar dúvidas, etc. Podemos, inclusive, escolher um pediatra do PMI para as consultas mensais obrigatórias do bebê. O Dante tem um pediatra particular, mas como depois da consulta dele dos 6 meses, a próxima é só com 9 meses, resolvi ir no PMI para pesar e conversar um pouco com a puericulturista.

Em relação ao pediatra, o do Dante é uma figura. Um velhinho simpático cheio de desenhos infantis pregados na parede (presente dos pacientes). Com um mês de idade, na primeira consulta do Dante, perguntei o que ele achava da chupeta, se ele era contra ou a favor. Antes de tudo ele me falou que jamais iria dizer para eu dar ou não dar chupeta para o meu filho e que esta decisão cabia somente aos pais. E completou dizendo que não gostava da ideia de chupeta ou dedo para calar um bebê. Explicou que a maneira que o Dante encontrava para se comunicar comigo era o choro, e não era justo acabar com a única forma de expressão do meu filho. Vejam como liberdade de expressão é assunto sério neste país, rsrs. Ok, meu pequeno não usou no primeiro mês, mas depois aderi. Afinal, eu também tinha que pensar na minha sanidade mental, e a chupeta ajudou nesta parte, hehe. Ele usa pouco, só para dormir e para se acalmar.

Falando em ajuda, morar longe da família tem esta grande desvantagem de não se ter uma ajudinha para algumas coisas. Semana passada, senti na pele. Literalmente. Cortei meu dedo no mixer enquanto preparava o almoço do Dante. O sangue não estancava, mas eu não queria ir ao hospital. Fico pensando no quanto a emergência do hospital aqui recebe tanta gente ferida de verdade (ainda mais agora em temporada de esqui, tem sempre um helicóptero chegando com gente machucada), eu nao queria ir lá por causa de um dedo cortado. Só que continuava sangrando e não estava bonito. Resolvi ir à farmácia do meu bairro, pois as meninas de lá são muito competentes e sempre dão conselhos com relação ao que deve ser feito. Elas viram meu corte e falaram para eu ir sim para o hospital, pois era o caso de dar pontos. Então, eu fui. Cheguei lá, me atenderam na hora e perguntaram se eu não tinha com quem deixar o bebê. Eu disse que não. Levaram-me para ver um médico mesmo assim e depois o médico perguntou novamente sobre chamar alguém para ficar com o bebê, pois não era adequado ter uma criança naquele lugar. Eu disse que poderia ligar para o meu marido naquele momento e ele estaria no hospital em uma hora. Mas me falaram que em uma hora já teriam terminado, então nem liguei para o Fábio. Só que o negócio demorou mais que o esperado e o Dante ficou o tempo todo com a gente dentro de um bercinho improvisado para ele. O problema é que quando ele chorava, eu não podia consolá-lo, pois estava lá recebendo os 6 pontos no indicador. Volta e meia vinha alguém para brincar com o Dante e acalmá-lo, mas a situação no geral foi chata e se eu morasse perto da família, com certeza teria alguém para ligar. O médico que me atendeu foi super gentil e humano mesmo tendo que trabalhar com um bebê chorando na cabeça dele.

Isto de não ter com quem deixar o pequeno é complicado. Não posso sequer ter um tempo só para mim, a não ser  quando o Fábio está em casa: fins de semana e à noite. Por isso vou colocá-lo na creche. Serão apenas 2 dias por semana e meio horário. Um tempinho para eu me dissociar da função de mãe. E o Dante precisa ver mais pessoas e interagir de formas diferentes com o mundo sem os pais sempre por perto. A creche é pública e a gente vai pagar uma quantia pequena que aqui depende do valor da renda da família. Ainda não tenho tantas informações, pois meu encontro com a diretora para acertar tudo é na semana que vem. Não sei como é no Brasil, mas aqui creche pública é de excelente qualidade e muito concorrida. Conseguir estes dois dias na semana em meio horario não foi moleza. Depois volto aqui contando como está sendo.

Ah, acho que já rendeu muito papo bebê por aqui hoje, né? Depois volto com outros assuntos, prometo.

A+

Sunday, February 08, 2015

Viagem com o bebê Dante


Nossa primeira viagem do ano foi para a Itália. O Fábio tinha uma congresso de microeletrônica Em Bolonha. Eu e Dante fomos também para curtir um pouquinho este país que eu adoro. Ja haviamos conhecido Bolonha, pois passamos nossa lua de mel viajando pela Itália durante um mês em 2010. Ficamos pouco tempo, mas o suficiente para nos encantarmos com a cidade. Desta vez com um detalhe a mais: um bebê de 6 meses.



Minha ideia era curtir Bolonha e arredores enquanto o Fábio passava os dias no congresso. Consegui, mas deu muito trabalho. Num dia fui conhecer Parma que fica há menos de 100km de Bolonha. Trem era a melhor opção: rápido e barato. Só que grande parte dos trens regionais italianos são bastante velhos, então nada acessíveis para entrar com carrinho de bebê e estacionar o dito cujo lá dentro. Eu tinha sempre que pedir ajuda das pessoas para subir no trem. E fazia a viagem entre um vagão e outro, pois o carrinho enorme simplesmente não entrava nos vagões. Já estou providenciando um simples e portátil para a pròxima viagem. Não dá mais para viajar com este trambolho. No trem da ida, ele mal cabia entre os vagões, então eu praticamente tinha que ficar na frente da porta do banheiro. Era super incoveniente, pois toda hora vinha alguém e eu tinha que manobrar o carrinho para dar espaço à pessoa que queria entrar no banheiro. 


No trem
Passada a aventura do trem, ainda tivemos outras na cidade. Parma é muito bonita e deu para ver bastante coisa. Só que com o Dante andei menos do que andaria se estivesse sozinha. Eu tinha outras preocupações que tomavam meu tempo. Por exemplo: trocar fralda. Não havia lugar para isso! Num certo momento tive que apelar. Entrei numa loja de departamentos, peguei 2 peças de roupa aleatoriamente e fui para o provador fingir que iria experimentar, mas na verdade entrei lá e troquei a fralda do pequeno. Muita cara de pau, eu sei, mas não pensei em outra solução melhor naquela hora. E para amamentar e dar papinha? Outra luta para encontrar um lugar para fazer isso com temperaturas de 1 dígito. Tanto a alimentação quanto a troca de fraldas não seriam problemas se não estivéssemos no inverno. Com uma boa temperatura, é fácil achar um parque ou uma praça e fazer tudo o que o bebê precisa, mas no inverno temos que pensar em outras alternativas.


Parma
Via Dante! Parma
No meio do caminho entre Parma e Bolonha fica Modena. Eu queria conhecer esta cidade onde se faz um dos melhores vinagres balsâmicos do mundo. Amo este vinagre. Minha ideia era sair de Parma depois do almoço, descer em Modena, dar uma volta e de lá voltar para Bolonha à noitinha. Tudo estava indo de acordo. Almocei bem em Parma, com direito a muito presunto local delicioso e nem a bagunça do Dante que estava inquieto no carrinho atrapalhou a experiência gastronômica. 


Em seguida fui para a estação de trem, comprei o bilhete para Modena e embarquei. Lá dentro o funcionário que conferia as passagens foi super simpático, perguntou onde eu iria descer e disse que voltaria na minha parada para me dar uma mão com o carrinho. Tudo isto comigo falando tentando um italiano bem rudimentar. Tão elementar que na hora de descer em Modena o funcionário não apareceu, o que me leva a crer que ou ele esqueceu ou eu tenho que estudar italiano, pois não aconteceu nada do que tinha entendido. Ok, sem problema eu pediria alguém para me ajudar, como já tinha feito antes. Porém, quando o trem parou na estação de Modena um monte de gente entrou na minha frente para descer, e todo mundo que estava esperando na estação para pegar o trem começou a entrar impedindo minha saída com o carrinho. Aquela era apenas uma parada, não destino final, então o trem ficava parado só uns minutinhos para um pessoal sair e outro entrar. Nesse tempo eu não consegui sequer me mover com aqueles loucos descendo e subindo e me atropelando. Então quando eu finalmente consegui espaço para descer as portas se fecharam e o trem começou a andar novamente. Foi tão frustrante ver o trem partindo e eu ainda dentro dele... Fiquei muito desapontada, xinguei em pensamento os italianos e o funcionário do trem. Depois fiz auto análise e percebi que eu era muito atrevida de querer visitar duas cidades no mesmo dia num país cuja a língua eu não sou fluente,  usando um trem velho, com um bebê de 6 meses e no inverno europeu. Aceitei a derrota e pensei que tinha até tido alguma sorte, pois o trem estava indo para Bolonha. Imaginem se ele estivesse indo para outro lado?

Para eu não ficar só na vontade, com o fim da congresso fomos eu, Fábio e Dante para Modena. Uma pessoa a mais muda tudo na hora de viajar com um bebê. Foi bem mais tranquilo. E justamente nesta cidade, vejam o que encontrei na estação de trem:



Este cantinho para bebê facilitou tudo! Eu precisava é de um destes quando estava sozinha. Deu para trocar fralda, amamentar, dar papinha. E tinha até aquecimento extra. Top!

E passeamos deliciosamente pela cidade numa tarde ensolarada e linda.





Uma pessoa a mais não ajuda apenas numa viagem, é essencial durante um jantar. Numa das noites em Bolonha, o Fábio tinha um tal de um jantar de gala oferecido aos participantes do congresso. Então saí para jantar fora sozinha com o Dante. O senhor da pousada onde nos hospedamos sugeriu um restaurante local e até ligou para lá antes para dizer que eu estava indo com um bebê. Tudo certo? Não. O Dante está numa fase em que quer mexer em tudo e se mexer também. Não aceitou ficar quietinho no carrinho durante o jantar. Ele queria participar ativamente daquele momento comigo. Isto significa que ficou no meu colo o jantar todo. Só que não era sossegado no meu colo. Era se mexendo, tentando alcançar os talheres, a taça, o guardanapo, me agarrando, tentando pular... Ainda bem que tanto a entrada quanto o prato principal davam para comer com uma mão. A sobremesa tive que pedir para viagem, pois aquele jantar já estava cansativo demais. Neste dia, havia uma mesa ao lado da nossa com 3 mulheres na faixa dos 30 e poucos conversando muito, rindo bastante e bebendo várias taças de prosecco. Contrastando aquela liberdade explícita estava eu ali toda estabanada, tentando comer, beber uma única tacinha de vinho e entreter meu filho agitado. Confesso que naquele momento desejei ser uma daquelas mulheres ao lado...

Vejam que só é complicado jantar com o Dante se eu estiver sozinha. Numa noite quando jantamos a família completa, ele também se agitou e não quis ficar no carrinho, mas eu podia dividir com o Fábio a tarefa de distraí-lo e/ou acalmá-lo. Tudo fica mais fácil e é possível ter prazer com o jantar. 



Numa outra noite quando saímos com os colegas de congresso do Fábio, também foi super tranquilo. O Dante é um bebê bem calmo, mas está numa fase de descobrir muitas coisas. Fazer programas mais complexos sozinha com ele não é simples. Como disse o pediatra dele, "Il est sage, mais inquiet", ou, ele é comportado, mas inquieto.

Depois dessa viagem pedreira percebi que viajar não dá para ser como era antes do Dante. Vale muito a pena ir com bebê, mas sozinha é mais complicado. Pelo menos no inverno. Talvez uma temperatura de 2 dígitos posotivos facilite as coisas. 


Vou continuar viajando com o pequeno e contarei aqui se vai ficando mais fácil. ;-)


Até!