Wednesday, November 18, 2015

Creche na França: como funciona com o Dante


Já falei aqui que o Dante frequenta uma creche. Foram uns 6 meses de espera até conseguir esta vaga permanente. Ainda quando estava grávida, fui numa palestra no Pôle Accueil Petite Enfance, o serviço municipal que cuida destas questões. E lá fui informada sobre as diferentes opções que eu tinha de lugares para deixar meu filho caso quisesse trabalhar. As opções eram para crianças de até 3 anos, pois depois disso elas vão para escola, e é bem mais fácil, pois toda criança tem direito à vaga. Meu interesse era pela creche municipal que tinha uma ótima fama por aqui. Os profissionais são bons, as creches bem estruturadas, eles propõem várias atividades interessantes, etc, Porém, é a mais difícil de conseguir vaga. Nosso tempo de espera na fila por 6 meses foi até considerado curto...

Enquanto esperávamos pela vaga regular, conseguimos o que eles chamam de "guarda ocasional". O Dante ia para a creche (uma outra, não a que ele vai hoje) duas tardes por semana. Achei legal, pois foi um começo para ele ir se acostumando ao esquema. Quando conseguimos a creche atual em tempo integral, começamos o processo de adaptação do Dante. Fizemos um contrato em que ele ficaria de 9h às 17h diariamente. Entao, foram 6 dias  para ele se ambientar:

Dia 1: Ficou de 9h30 às 10h30 na creche comigo. Neste tempo ele ficou brincando e conhecendo o lugar enquanto eu conversava com a "professora" dele que me fez várias perguntas sobre a rotina dele, como dormia, o que comia, o que falava, seus hábitos, etc, e ia anotando tudo.

Dia 2: Ficou na creche novamente de 9h30 às 10h30, mas desta vez sem mim. O único dia que a mãe/pai está perto é no primeiro. Deixei o pequeno lá, fui tomar um café e voltei uma hora depois.

Dia 3: Ficou na creche de 9h30 às 11h30. Neste dia almoçou lá pela primeira vez.

Dia 4: Ficou de 9h00 às 12h00.

Dia 5: Ficou de 9h00 às 15h. Neste dia ele fez sua primeira sesta depois do almoço lá. 

Dia 6: Ficou de 9h30 às 17h. Dia completo!

Claro que nem tudo são flores. mesmo com o processo de adaptação feito, nas primeiras 2 semanas na creche ele chorava quando eu o deixava lá. Dava muito aperto no coraçao deixar o Dante lá chorando enquanto eu ia embora... Mas eu sabia que esta reação era normal, e com o tempo passou. Hoje ele já chega andando, sorrindo, dando abraço nos "professores".

Eu falo professores, mas na verdade são profissionais diversos; educadores (como os pedagogos no Brasil, mas acho que a formação aqui específica na primeira infância tem um tempo menor) e puericultores (uma espécie de enfermeiros especializados no desenvolvimento infantil).

O Dante almoça e faz o lanche da tarde lá. Toda semana o cardápio das crainças fica exposto para os pais saberem o que estão comendo e poderem balancear com as refeições feitas em casa. O Dante gosta muito da comida lá, pois sempre que vou buscá-lo ouço um "ele comeu muito bem hoje". E com razão, o menu é sempre bem bacaninha, comida é coisa séria neste país, hehe.
Cardápio da creche

E eles têm umas atividades interessantes por lá. Volta e meia vai um músico tocar para eles, o último foi um flautista. Toda semana uma bibliotecária municipal faz uma seleção de livros e vai contar história para as crianças. Eles fazem atelier de cozinha, pintura, desenho... Sem dúvida é um ambiente bem estimulante.
Desculpem, não está à venda.
Percebo em casa as mudanças que a creche traz no desenvolvimento e autonomia dele. Por exemplo, o Dante gosta de comer sozinho. Eu fico ao lado vigiando, vendo se ele precisa de ajuda, mas hoje quem pega a colher e coloca a comida na boca é ele. Acho que se fosse eu que estivesse cuidando dele o dia todo, eu não teria a iniciativa de dar a colher para ele comer sozinho nesta idade. Porém, a creche trouxe um monte de doencinhas também. Volta e meia é um resfriado, uma gastroenterinte... Outro dia vi no mural da creche um aviso de que algumas crianças estavam com piolho e informando a importância de seguir corretamente o tratamento adequado. E eu que achava que atualmente neo existia mais este negócio de piolho, rsrs. Outra coisa, como agora ele passa o dia na creche ouvindo francês e depois com os pais só português, provavelmente ele vai demorar mais a falar. O fato dele estar convivendo com duas linguas ao mesmo tempo pode retardar o desenvolvimento da linguagem. A pediatra falou que no futuro vai ser ótimo, mas no comecinho é duro para os bebês.


A crecheé municipal, mas não é de graça e não costuma ser baratinha nao... De qualquer forma, o pagamento depende da renda da família e da quantidade de filhos. Eu acho bacana, mas sei que tem gente que não gosta do esquema. Lá a gente tem que bater cartão para marcar a hora da entrada e da saída. E se eu bater antes das 9h ou depois das 17h, pago meia hora a mais. Pontualidade, galera.
Cartões de ponto
Dante gosta de bater o ponto dele.
Eu dei vários detalhes aqui de como foi a adaptação na creche, como as coisas acontecem lá e tal, pois eu queria saber se é muito diferente ou se é igual no Brasil. Não tenho nenhuma informação, pois nunca convivi com pais que tivessem crianças na creche... Eu ia adorar saber como é, me contem!