Thursday, December 29, 2016

Vamos falar sobre autismo - Como tudo começou


Vamos falar sobre autismo? Vamos! Então, vamos falar sobre o Dante.

No fim de março/2016 quando chegamos de férias do Brasil, percebemos que Dante não se interessava mais pelos brinquedos, só queria correr pela casa. No começo era engraçado, mas depois começamos a achar muito estranho. Perguntamos na creche como ele estava se comportando lá, se haviam percebido algo diferente... Eles nos falaram que Dante estava sempre sozinho, que não se interessava em brincar com as outras crianças e nem pelas atividades em grupo. Disseram que poderia ser um traço da personalidade dele, mas que era destoante das outras crianças. E se isso era algo que nos preocupasse, nos recomendariam ver a psicóloga da creche. Entao marcamos uma reunião com a médica da creche, pois a psicóloga estava de férias.

Na semana que esperamos até a reunião acontecer, começamos a pesquisar sobre o comportamento do Dante e logo chegamos no assunto "autismo". Muitas características batiam... Além da falta de socialização e pouco interesse nos brinquedos, descobrimos algo preocupante que deveríamos ter dado mais atenção: a perda de habilidades. Por exemplo, Dante estava começando a falar e parou. Também parou de bater palmas, parou de dar tchau e de fazer Hi5. Tínhamos percebido que algumas dessa habilidades estavam sumindo, mas achamos que era fase, bilinguismo, personalidade... só que na realidade poderia ser autismo regressivo...


No dia do encontro com a médica, já chegamos com esta hipótese. Depois de várias perguntas ela sugeriu que procurássemos imediatamente a pediatra do Dante, pois ela o conhecia e saberia falar conosco com mais propriedade. Bom, a pediatra do Dante estava de licença maternidade, então fomos na substituta. Esta não sabia muito do nosso pequeno, nem de autismo, mas tinha um questionário internacional  em mãos, o M-CHAT (Modified-Checklist for Autism in Toddlers) e foi nos fazendo as perguntas. Algumas das nossas respostas tocaram em pontos críticos, mas a pediatra disse que não poderia fazer qualquer diagnóstico, pois não era especialista no assunto. Depois de alguns encaminhamentos, ajuda essencial de amigos e da creche, chegamos ao nome de um pediatra especialista.  Falaram-nos que seria muito difícil conseguir uma consulta com ele, pois o cara é fera e ocupadíssimo. Porém conversamos com a secretária dele, contamos toda a história, detalhes sobre o Dante, etc. Ela nos pediu um tempo e nos ligou no dia seguinte falando que o pediatra queria nos ver naquela semana. Ele nos atendeu num sábado de manhã, coisa rara por estas bandas.

No dia da consulta com ele, contamos detalhes das nossa preocupações, ele examinou o Dante, fez testes com ele e viu que o desenvolvimento dele não parecia típico. Mas segundo ele, não se pode dar oficialmente o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista - TEA (este é o nome certo! Aprendemos lá.) a uma criança com menos de 3 anos, pois ela está em pleno desenvolvimento. Então, naquele momento deu o diagnóstico de "problema no desenvolvimento da comunicaçao e da linguagem", apesar dos sinais serem de TEA. E sugeriu começarmos imediatamente sessões de fonoaudiologia e terapia ocupacional. Começamos no fim de maio/2016. E desde então muita coisa rolou: temos aprendido muito a respeito, lemos muito, uma outra instituição fez mais testes, refizemos planos pro ano que vem. Muita coisa aconteceu!


Tenho tantas coisas para falar a respeito deste assunto, de como nossas vidas mudaram, nossos sentimentos também, nossa alimentaçao, tudo. Sabe quando a gente vira mãe e pai e nossa vida muda de uma hora para outra? Quando você se descobre mãe ou pai de uma criança com desenvolvimento atípico acontece uma outra grande mudança. E acontece um luto, uma culpa, uma incerteza maior que tudo... mas a gente se fortaleceu de um jeito que ninguém nos segura para cuidar do nosso garotinho e fazer tudo o que der para que ele tenha um bom desenvolvimento e uma vida legal.

No próximo post conto detalhes do nosso caminho desde então e de como anda nossa vida agora. 

Ah, fiz um instagram pro Dante onde conto o nosso dia a dia lidando com o espectro autista. Fiz isso para levar informação e diminuir o precoceito. Este aqui: @dante_espectro_autista.

;)


Thursday, August 25, 2016

Viajando de férias pela França: road trip!


Nossa viagem de férias neste ano foi por aqui mesmo na França! Moramos em Grenoble há quase quatro anos e a gente queria conhecer várias partes da França que ainda não tínhamos ido porque "ah, é logo ali, um dia a gente vai". Há tempos queríamos visitar o Mont Saint Michel, a região de vinhos da Borgonha, o vale do Loire, etc... Então, paramos de enrolar e finalmente aconteceu!

Alugamos um carro e viajamos por 20 dias pela França. Foi maravilhoso! Passamos por cidades lindas, provamos comidas ótimas e experimentamos muitos vinhos, cervejas, cidras, champanhes... Nem sei dizer por quantas cidades passamos. Decidimos ir pelas estradas secundárias, em vez de viajar pelas grandes rodovias. Além das secundárias serem mais baratas, pois não têm pedágio (que costuma ser bem caro por aqui) a gente passava por cidadezinhas lindas e paisagens incríveis.

Passamos por campos de girassóis quase que na França toda. E de feno também. E milho, azeitona, malte... :)

Campo em algum lugar em Rhone Alpes
Em Rhone Alpes

Finalmente conheci a Borgonha, umas das regiões produtoras de vinho mais importantes da França. Alíás, vimos muitas plantações de uvas por lá, e também na Champanhe, nos arredores de Bordeaux, etc. E fizemos degustações também.

Vinhedos em Champanhe
Vinhedo na Borgonha

Conhecemos algumas cidades medievais muito bem preservadas: Perouges, Brancion, St Malo e Carcassone.
Perouges
Carcassone
Fomos a praias muito bonitas tanto na costa Atlântica quanto no Mediterrâneo. Passamos pela ilha de Noirmoutier, ilha de Ré, Montpellier, Cassis e Bandol.
Calanques perto de Cassis
Bandol
Ilha de Ré

Palavas les Flots, perto de Montpellier.

Finalmente fomos ao Mont St. Michel. É realmente belíssimo.
Mont Saint Michel, lindo!

Selfie no Monte. ;)

Conhecemos alguns castelos do Vale do Loire...
Châteaus d'Amboise

Château Chambord
E mais um monte de cidades pelo caminho: Marselha, Nantes, Cognac, Bordeaux, Toulouse, Toulon, Dijon, etc, etc, etc. Impossível enumerar todas.
Saint Emilion

Orleans
Essoyes, cidade do coraçao de Renoir.
Um dos objetivos desta viagem era conhecer tudo gastando pouco. Além da escolha pelas estradas secundárias, pegamos um carro a diesel que consome menos e é um combustível mais barato.
Caso pensem em viajar por aqui, alguns números para vocês terem uma ideia dos gastos com o carro:
- O preço do litro de diesel variava de 1.03EUR a 1.26EUR. Os mais caros costumavam ser os que estavam dentro das cidades.
- Viajamos quase 4000km e gastamos 150 EUR de combustível.
- De estacionamento pagamos em torno de 100 EUR no total. Nos hotéis que ficamos o estacionamento era sempre de graça, este preço foi gasto nas cidades e praias.
- O preço do carro vai variar de acordo com a operadora, o tipo de carro e a época do ano.... Nossos 20 dias em agosto nos custaram 459 EUR pela Avis num carro  econômico a diesel . Sugiro uma pesquisa no site da Rentalcars que faz uma busca em todas as operadoras e você vê qual vale mais a pena.

Road trip no carro alugado na Avis
Quanto aos gastos diários, pode ser uma viagem muito cara ou bem barata. Se você decidir almoçar e jantar em restaurantes todos os dias, prepare-se para gastar uma graninha. Se você for comer fast food ou comprar comida no supermercado fica bem mais barato. No nosso caso, foi meio a meio. A gente almoçava ou jantava num restaurante, e fazia a outra refeição a partir de alimentos que comprávamos no supermercado e feiras. Dá pra comer bem mesmo comprando no mercado, mas aí tem que garimpar e até pagar um pouco mais caro (mas bem mais barato que um restaurante). Isso depende do tipo de coisa que você vai comer. ;)
Galette na Bretanha
Feira em Cassis
E os hoteis?? No verão a hospedagem geralmente é muito cara! A gente decidiu, então, ficar nos hotéis Formule 1. Eles ficam mais afastados da cidade (nesta viagem, em torno de 10km do centro), mas como estávamos de carro, isto não foi um problema. Então, a média geral que pagamos foi 40 EUR por noite num quarto triplo (com café da manhã incluso), o que é muito barato pro verão na França.

A França é um país caro normalmente, mas dá pra conhecer lugares lindos pagando menos se você abrir um pouco a cabeça e planejar bem direitinho sua viagem. E é um país preparado pra receber turistas. Quase todas as cidades pelas quais passamos tinha centro de informação turística. Até na estrada achamos! Então, venham, amigos!

Ah, e não posso esquecer de falar que comemoramos o aniversário de 2 anos do Dante durante a viagem! Estávamos em na Borgonha e comemoramos com um bolinho de especiarias bem típico da região e suco de cassis. Foi lindo :)
Aniversário com bolo especial da Borgonha.
À bientôt! ;)

Wednesday, July 06, 2016

E como anda a vida nos alpes?



Vou começar com uma promessa de ano novo (porque aqui o ano meio que começa no segundo semestre depois das férias de verão): eu vou aparecer por aqui com mais frequência! Costumava escrever bem mais, só que parece que às vezes me perco na rotina, ou perco a vontade, sei lá, aí fico devendo post. Não desistam de mim, isso aqui vai ficar bom este ano, hehe. Tô sumida do blog, mas as redes sociais estão bombando! Instagram @nicolepsilva e Snapchat nicpsilva . ;)

Então, bora atualizar as novidades? Bora! O que tem acontecido por aqui?? Calor!!!! Verão chegou com tudo! Dias lindos, ensolarados e quentes (às vezes quentes demais!). E se não tem praia em Grenoble, o que a gente faz? A gente vai pros lagos! Já disse isso aqui. No último fim de semana conheci o Lac de Paladru. Eu e Dante fomos com um casal de amigos muito queridos e o filho fofo deles. Fizemos pique nique, conversamos muito e aproveitamos o calorão. Tudo ótimo! Marido não foi porque está a todo vapor preparando a defesa da tese.

Foto que Aline tirou dos nossos pequenos. :)
E o que mais aconteceu nestes meses de sumiço? Recebemos visitas! Dani (irmã do Fábio), e o marido Seth vieram passar uma semana conosco em Grenoble. Fizemos muitas coisas: visita a Chartreuse, passeio em Vizille, vinícolas em Chateauneuf du Pape, restaurante típico francês, Bastilha, lago, muita cerveja e vinho, rs. Tem bastante coisa para fazer em Grenoble e nos arredores. :) Foi bem legal!
Reunidos pro iver do Fábio!
Além deles, teve gente do Brasil aqui na França. Minha amiga Ju (das melhores que alguém pode ter), veio passar uma semana em Paris com a mãe e a madrinha. Eu fui encontrá-la só no fim de semana, pois estava trabalhando na época. Foi muito bom rever a amiga na cidade Luz! E ainda fiz uma coisa nova, conheci o Museu Rodin que é simplesmente maravilhoso. Isso e muitos outros passeios com a Ju e family na sempre linda Paris. Foi top!


O pensador, Rodin.
Um brinde das garotas em Paris!

E sabem quem anda tocando por aqui? O marido fez dois shows este ano. Um numa festa junina brasileira e outro numa festa de uma cidadezinha aqui perto. Muito legal, né? A banda tocou muita música brasileira da melhor qualidade. :D



Meu último contrato de trabalho acabou, e agora vamos só curtir o verão. Temos viagem planejada antes de começar o ano (é estranho este negócio de começar o ano no segundo semestre, ainda estou me acostumando, rs) e teremos muitas mudanças nas nossas vidas nos meses seguintes. E eu vou falar disso tudo aqui, prometo!

À bientôt! Até logo!

Thursday, April 28, 2016

Trabalho em Grenoble



Hoje vou falar de trabalho! Já escrevi sobre isto aqui, aqui e aqui. porque estou sempre num emprego diferente ou buscando alguma coisa para fazer e ganhar dinheiro nesta terrinha.

Não tinha postado no blog ainda, mas cheguei a trabalhar um tempinho numa escola como monitora infantil. Eu ficava com as crianças na hora do almoço delas na escola. Elas têm em torno duas horas entre as aulas da manhã e as da tarde. Meu trabalho era basicamente acompanha-las no almoço (não deixando a bagunça se instalar, verificando se estavam comendo, gerenciando o tempo, etc) e brincar com elas antes ou depois. Fazíamos algum esporte, jogos de mesa, pulávamos corda, entre outras atividades. E conversávamos muito! A maioria adorava falar e contar histórias das suas vidas. Foi uma experiência bem legal.

Agora estou de emprego novo. Yay! Há um mês comecei meu "intérim", que é tipo um contrato de "missão temporária". A empresa que me contratou gerencia o estoque de uma marca francesa de roupas e acessórios. Nesta época do ano chegam muitos produtos devido à mudança de estação, então, para dar conta do volume grande de trabalho, a empresa contrata pessoas para trabalhar uma temporada. Minhas atividades lá são bastante repetitivas, mas é ótimo estar trabalhando! É muito bom conhecer gente diferente, conversar assuntos com os quais não estou acostumada, e, claro, ganhar uma graninha! Estou trabalhando em tempo integral pela primeira vez depois do nascimento do Dante. Canseira, viu! :)

Já que estamos neste assunto, vou aproveitar este post para responder algumas perguntas que os leitores do blog sempre me mandam. Principalmente os que estão com planos de vir para Grenoble. Então, pode ser a sua dúvida que está vindo pra cá, né? E já vou esclarecendo que é a minha visão das coisas, são as minhas experiências. Outras pessoas daqui podem ver e viver outras situações, ok?

Sempre me perguntam da crise, se tá difícil conseguir emprego aqui. Eu acho super difícil responder a esta pergunta, pois depende muito da área e da pessoa. Se você for uma pessoa super especializada num assunto que bomba no mercado de trabalho, acho que vai ser mais tranquilo. Se você for de uma área em que a demanda é super baixa, você vai ter que suar mais pra conseguir. Eu me sinto super deslocada aqui, pois sou bibliotecária, mulher, imigrante... Nem consigo imaginar quando vou conseguir um emprego na minha área... Atualmente trabalho com duas francesas, uma psicóloga e uma química industrial, e ambas se sentem igualmente desestimuladas. Não dá para dizer se você que está vindo pra cá vai conseguir trabalhar na sua área, mas dá pra dizer que você tem muitas chances de conseguir trabalhar em algum lugar.

Posso dizer também que você vai ganhar um salário digno independente do que faça (estou falando de trabalho formal). Para conhecimento, o salário mínimo 2016 para uma jornada de 35 horas semanais é 1466,62 euros. E a hora vale 9,67 euros. Sempre que estou procurando emprego e não falam o salário, nem me preocupo, pois sei que o mínimo já é bom.

E o visto pra trabalhar? Precisa? Precisa. As empresas cobram. Claro que como em qualquer lugar do mundo, rola trabalho informal. Aqui você pode fazer uma faxina aqui, um serviço de babá ali, uma aula de violão acolá, etc. Mas se você quer trabalhar certinho e ter todos os direito trabalhistas, tem que ter visto com autorização para trabalhar. Por causa dos empregos que tive aqui, vez ou outra recebi seguro desemprego, o que não teria acontecido se eu tivesse trabalhado informalmente e não pagado os impostos.

Há trabalhos voluntários que não exigem visto. Já fui voluntária numa associação em Grenoble que fazia trabalhos criativos com idosos de asilos e ninguém me pediu visto. E tenho amigos que estavam aqui a turismo e fizeram voluntariado na Cruz Vermelha. Nestes casos de trabalhos sociais, a demanda por visto deve ser menor, mas imagino que se você for fazer um trabalho voluntário numa empresa, tipo estágio não remunerado, devem pedir visto.

Bom, taí um pouquinho do que vivi aqui e pode ajudar quem esteja vindo. Qualquer dúvida, coloquem nos comentários ou em qualquer rede social que eu respondo. ;)



Wednesday, April 13, 2016

Meia maratona em Grenoble. Eu fui!

Foto tirada do site do evento.
Já falei no blog  do quanto Grenoble é uma cidade esportiva. Sempre tem gente praticando corrida por aqui, a galera usa muito bicicleta e por ser uma cidade rodeada de montanhas o pessoal se joga nos esportes de inverno e faz trilhas, escaladas, etc, em outras estações.

Quando cheguei aqui, entrei no clima. Já fiz várias trilhas pelas redondezas, e... voltei a correr! Eu corria de vez em quando, nada cerinho, só pra me mexer um pouco. Daí resolvi levar mais a sério e tomei uma decisão no início do ano: correr a Semi-marathon Grenoble Vizille. A decisão foi em janeiro e a corrida estava marcada para 3 de abril. Então, procurei um treinador profissional, que por acaso é meu irmão, pra me ajudar nessa. 

Treinei muito em janeiro e fevereiro. Em março fui pro Brasil e os treinos caíram bastante. Além de estar de férias, o que me deixou menos disciplinada, ainda tinha que correr no calorão de quase 30°C. Corri pouco, treinei mal, meu desempenho diminuiu. Até cheguei a ficar em dúvida se daria pra correr a semi-marathon. Meu treinador disse que daria sim, pois eu já estava bem preparada. Era só eu chegar em Grenoble, fazer mais uns treinos e tudo certo. Cheguei, e na primeira corrida machuquei o pé. Passei uma semana com o pé doendo, cheguei a mancar. Daí sim fiquei preocupadíssima, pois não conseguiria correr com dor. Fui num médico especializado em medicina do esporte, fizemos uma ecografia no pé e ele viu que estava inflamado. Já não doia mais, mas ele me passou um anti inflamatório adesivo para eu correr com ele colado no pé. E assim foi.

O dia da semi-marathon acordou meio nublado, 12°C, perfeito pra correr! Já tinha recebido conselho do meu treinador e do médico pra não forçar, pois estava machucada. E não forcei mesmo. Como eu nao tinha objetivo de tempo, corri tranquilinha. Meus 2 objetivos eram: 1) Terminar a prova me sentindo bem, sem grandes dores e 2) Não andar hora nenhuma, só correr. Principalmente porque tinha 5km de morro durante a prova, e eu não queria caminhar (como vi muita gebte fazendo no dia).
Foto do site do evento.
Foto do site do evento.

Foto do site do evento.
Consegui alcançar os dois objetivos! E terminei a prova super feliz, realizada de ter me colocado um desafio e cumprido! A prova foi incrível. Começava em Grenoble, e terminava na cidade de Vizille: 22km no total. Passamos por lugares lindos, sempre acompanhados pelas montanhas, ouvindo alguns músicos que tocavam durante o percurso e terminamos dentro de um parque maravilhoso.  Foi tudo perfeito! Fiz o tempo de 2:25:54.
Foto do site do evento.
Foram mais de 5000 participantes e já é um dos grandes eventos de corrida da França. Agora só quero correr mais e mais e mais!


Tuesday, February 09, 2016

8 costumes franceses que eu adoro


Hoje quero falar sobre hábitos bem legais praticados pelos franceses. Na verdade, são comportamentos que percebi principalmente em Grenoble, não dá para generalizar demais, né? Adoro viver neste país, estou bem adaptada e passei a assimilar vários destes costumes. Claro que existem pontos negativos também, mas gosto de enxergar o copo cheio e de me concentrar no que é bom. E, sinceramente, encontro mais aspectos positivos que negativos. Posso até dizer que me sinto em casa na França. Outro dia assisti a um TED (este aqui: Don't ask where I'm from, ask where I'm local) que falava que nós não pertencemos apenas ao lugar onde nascemos ou crescemos, mas aos lugares onde moramos e nos identificamos. Então, com certeza uma parte de mim já é francesa.

Vamos aos costumes:

1) Comer pão, muito pão.
O pão é acompanhamento sagrado nas refeições. Eles comem pão com tudo. Quando vou a um restaurante, a cestinha de pão chega rapidinho na minha mesa. De graça, pois em Grenoble nunca paguei por ele no restaurante, ora bolas. Uma vez, uma amiga brasileira fez uma feijoada e convidou os amigos franceses (e eu e Fábio também, claro, hehe) e eles comeram pão junto, acreditam? Eu acho uma graça. Não vamos condená-los, o pão daqui é bom demais! Ah, e eles têm certeza que não engorda e não acreditam em carboidrato, rsrs. 

2) Comprar coisas usadas.
O site Leboncoin é um dos campeões de acesso do país. Trata-se de compra e venda de coisas usadas. Móveis, roupas, eletrodomésticos, tudo! Os "brocantes" e "braderies" (tipo mercado das pulgas e bazares) que acontecem de tempos em tempos nas ruas de Grenoble ficam lotados! E não é coisa de pobre não, é a classe média mobiliando a casa e vestindo seus filhos com itens de segunda mão. Acho o máximo!
Brocante na minha rua.
3) Bonjour!
Em qualquer lugar que você entra, a primeira palavra que você escuta é "Bonjour".Na padaria, no trabalho, na reunião de pais, no supermercado...  Cortês, não é? As crianças aprendem desde cedo e é a coisa mais linda aquele pirralho de 4 anos te dando "bonjour". :)  Dica amiga: se você está vindo turistar por estas bandas, sempre diga "bonjour" antes de qualquer outra coisa. Quando o garçom do restaurante vier te atender, antes de  perguntar algo pro vendedor na loja, ao pedir informação turística, etc, lembre-se: primeiro bonjour, depois o resto. E pode ser de manhã e à tarde, ok?

4) Levar comida para a praia.
Aqui não estou falando de Grenoble, obviamente, pois não temos praia. Mas "farofar" é super normal! Tudo bem levar piquenique pra praia. Tudo bem beber sua cervejinha que você trouxe de casa ou comprou no supermercado ali perto. Relaxa, ninguém vai te olhar torto!

5) Topless na praia. 
Ainda no assunto praia, acho ótimo não ter marquinha de biquini. Qualquer mulher que queira fazer topless faz. Peito grande, pequeno, duro, mole, jovens ou velhos, ninguém está nem aí. Não é uma atitude erótica, são só peitos livres. Sinceramente, acho o biquini minúsculo e o fio dental das brasileiras muito mais provocativo e erotizado do que o topless das francesas. Fato curioso; uma vez em Marselha estava numa praia e vi duas mulheres, uma mulçumana com o corpo todo coberto e lenço na cabeça e outra ao lado fazendo topless, super democrático, né?


6) Cachorros educados
Esta é especial pra quem tem muito medo de cachorro, como eu. Não confundam com não gostar de cachorro, eu os adoro, só tenho muito medo, coisa pra resolver no psicanalista. Aqui eles sao extremamente educados. A maioria anda sem coleira ao lado do dono, sem ameaçar correr loucamente pela rua ou pular em alguém. Eles nem ficam te cheirando. Já presenciei várias vezes uma pessoa entrar na padaria e deixar o cachorro solto do lado de fora esperando pacientemente (sim, sem coleira, sem estar preso a lugar algum). Sabe aquele livro "Crianças francesas não fazem manha"? Aparentemente os cachorros também não.

7) Valorizar a hora do almoço.
Aqui o banco fecha na hora do almoço. E também o cartório, algumas lojas e vários serviços em geral. Não tem essa de aproveitar este horário pra resolver umas coisinhas. Fábio tinha uma hora de almoço na empresa em que trabalhava, e as pessoas gastavam esta hora inteira, pasmem, almoçando! Ah gente, eu adoro isso! Pra mim, isso é qualidade de vida, sorry.


8) Pegar carona.
O BlaBlaCar é um site de caronas que funciona super bem aqui, eu já usei muito. Você pesquisa um itinerário, escolhe a data da viagem e escolhe entre os motoristas que estão propondo o mesmo trajeto. É possível fazer a reserva e o pagamento pelo site mesmo. Super simples e quase sempre é a opção mais barata. Além disso, carona é estimulada no dia a dia. Há muitas empresas que dão benefícios a funcionários que oferecem carona a outros. Você ganha pra ser sustentável. Top!

E você que conhece a França, também tem algum costume que adora? :)